"Foi sob essa ilusão que um grande número de países do golfo concordaram não apenas em comprar plataformas de armas norte-americanas muito caras, mas também em abrigar bases militares norte-americanas na região", disse à Sputnik o coronel reformado Rajeev Agarwal, especialista em Ásia Ocidental e consultor sênior de pesquisa do think tank Chintan Research Foundation, com sede em Nova Deli.
Em seu discurso sobre o Estado da União de 1980, em reação à revolução iraniana de 1979, o então presidente dos EUA, Jimmy Carter, assegurou à região: "Qualquer tentativa de uma força externa de obter o controle da região do golfo Pérsico será considerada um ataque aos interesses vitais dos Estados Unidos da América, e tal ataque será repelido por todos os meios necessários, incluindo a força militar."
O fracasso dos EUA em proteger suas bases militares e os países anfitriões do golfo é, portanto, um grande constrangimento para os EUA, ressaltou o analista.
"O fato de mísseis iranianos terem causado danos em larga escala, incluindo o quartel-general da Quinta Frota e a base naval no Bahrein, bem como bases militares no Kuwait, Doha, Emirados Árabes Unidos, Jordânia etc., é prova disso. Aliás, na noite de 1º para 2 de março, a base norte-americana em Arbil, no Iraque, que é basicamente um enorme depósito de munições, foi alvejada e completamente destruída", destacou Agarwal.
De fato, os ataques contra Doha, no Catar, expõem as inabaláveis garantias de segurança que os EUA haviam assegurado ao Catar depois que Israel lançou mísseis contra Doha em setembro de 2025, visando a liderança do Hamas, enfatizou o especialista.
"Esta guerra é uma lição não só para os países do golfo, mas também para qualquer outra nação que pretenda garantir a sua segurança nacional exclusivamente através de atores externos. E a lição é: 'segurança nacional não pode ser comprada.' Sistemas de segurança integrais e orgânicos são vitais para garantir a segurança de uma nação. Assim que esta guerra terminar, a região terá de rever seriamente a sua arquitetura de segurança e encontrar soluções mais inclusivas e colaborativas", concluiu Agarwal.