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Mudança na previsão de duração do conflito indica que algo saiu errado para EUA e Israel, diz analista

© Reprodução / X / Benjamin NetanyahuO presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião bilateral em Washington, D.C., em 29 de setembro de 2025
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante reunião bilateral em Washington, D.C., em 29 de setembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 02.03.2026
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A Rússia possui autoridade na região e é uma parceira estratégica do Irã. Aliança fortalecida, inclusive, pelas sanções implementadas pelo Ocidente aos dois países nos últimos anos.
Entrando no quarto dia de hostilidades entre Estados Unidos e Israel, de um lado, e Irã, do outro, os atores do conflito parecem se preparar para um confronto mais duradouro, com todos ameaçando escalar ainda mais os ataques.
Ao programa Entretanto da Rádio Sputnik Brasil, o doutorando em relações internacionais pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Jhonathan Mattos, afirma que vê que a Rússia pode ajudar a buscar soluções para a situação no Oriente Médio.

"A Rússia possui autoridade e isso é indiscutível. O Irã é um parceiro estratégico da Rússia."

Segundo Jhonathan, ao contrário do que muitos pensam a Rússia não se alinharia automaticamente com o Irã e interferiria na guerra ao seu lado. Pelo contrário, ele descarta o envio de militares russos.
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Raphael Machado, analista geopolítico e comentarista do programa Entretanto destacou para a mudança na duração da previsão do conflito. "Essa mudança na previsão de duração do conflito já indica que algo saiu errado."
A princípio, a Casa Branca afirmou que esperava uma operação de quatro dias, porém agora o presidente Donald Trump já mudou o discurso e disse que a projeção é de quatro a cinco semanas, e que os Estados Unidos têm capacidade para ir além. Já Tel Aviv passa a considerar que o conflito se estenda até meados de abril.

"O cálculo básico ali era de que, ao realizar um ataque de decapitação contra o Irã, isso faria o regime iraniano colapsar, se render ou buscar uma negociação, evitar um enfrentamento militar. Ou, quem sabe, isso levaria manifestantes hipotéticos e imaginários a tomarem o poder ou algo nesse sentido", analisa Machado.

Uma motocicleta passa por uma foto do falecido Líder Supremo iraniano, Aiatolá Ali Khamenei, em uma rua vazia de Teerã, Irã, no domingo, 1º de março de 2026, após a confirmação da morte de Khamenei em ataques dos EUA e de Israel. - Sputnik Brasil, 1920, 01.03.2026
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O analista recorda, também, que tanto na Guerra dos 12 dias quanto nos ataques iniciados no sábado (28), a ofensiva militar norte-americana e israelense começou durante negociações com o Irã, que demorou pelo menos um dia para responder as retaliações.

"Os EUA utilizaram negociações como máscara, como uma cortina de fumaça para distrair o adversário e talvez fazer com que ele baixasse a guardas. Talvez os iranianos não devessem ter confiado uma vez mais em negociar com os EUA, considerando o precedente utilizado pelos EUA e por Israel", avaliou.

Apesar do voto de desconfiança a ser dado, Machado ressalta que o governo iraniano sempre fez questão de demonstrar que eles querem a paz e querem uma solução diplomática para as suas controvérsias.
"O aiatolá Khamenei, ele notoriamente historicamente, sempre foi um homem diplomático, pouco belicoso, pacifista. Ele era o principal obstáculo, por exemplo, a aquisição de armas nucleares pelo Irã. Ele insistia em negociações e insistia no diálogo com o Ocidente, no diálogo com os EUA. É por isso que o Irã aceitou essa nova rodada de negociações, apesar do precedente", afirmou.
O líder supremo do Irã foi assassinado em um bombardeio conjunto de Israel e dos Estados Unidos contra sua residência. À repórteres, nesta segunda-feira (2), o embaixador do Irã no Brasil, Abdollah Nekounam, confirmou que Khamenei se recusou a ir para um bunker de segurança mesmo sob ameaça.
Para Machado, o Irã, ao responder as retaliações, demonstrou sua força aos Estados Unidos e Israel que, de acordo com ele, no atual momento geopolítico, "só entendem a linguagem da força, mesmo que eventualmente se parta para negociações".
"Eventualmente, o Irã vai ter que negociar. Não faz sentido para o Irã aceitar negociações sem antes demonstrar a sua força, porque é necessário impor um custo alto aos EUApara eles entenderem que o Irã não possui as mesmas fragilidades que alguns outros países, como a própria Venezuela, que sofreu ali um ataque e uma operação de sequestro, mas não esteve em condições de reagir da mesma maneira que o Irã", finalizou.
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