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Samara Martins lança pré-candidatura à Presidência em São Paulo

Samara Martins, do partido Unidade Popular (UP), lançou sua pré-candidatura à Presidência do Brasil neste domingo (8), em São Paulo (SP). Ela se apresenta como única mulher negra na disputa de 2026 e bota o fim das jornadas de trabalho degradantes no centro de sua plataforma socialista.
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No Dia Internacional da Mulher, Martins anunciou formalmente que participará do pleito deste ano. A data, segundo disse ela à Sputnik Brasil, não foi escolhida por acaso.
Martins afirma ser "a única pré-candidata mulher e negra que está concorrendo nessas eleições" — em um país que ela própria descreve como "majoritariamente feminino, majoritariamente negro", o que é balizado pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Segundo o Censo 2022, pretos e pardos somam 55,5% dos brasileiros e as mulheres respondem por 51,5% da população.
Para a pré-candidata, a escolha do 8 de março serve para "demarcar o quanto as mulheres sofrem com o avanço do capitalismo, com as opressões que acontecem no nosso país".
Ela destaca que as desigualdades de gênero e raça se traduzem diretamente em desigualdade salarial e exclusão dos espaços de poder.
Segundo Martins, racismo e machismo sistêmicos fazem "com que as mulheres recebam menos, que as mulheres negras estejam na base da sociedade recebendo ainda menos que um homem branco".
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Por isso, defende que a presença feminina no poder não é pauta identitária, mas estrutural. "São as que sentem na pele todas as mazelas do capitalismo."

6 por 1 como símbolo da exploração

O principal gancho do lançamento foi o combate à jornada de trabalho 6x1, tema que mobiliza o debate público brasileiro nos últimos meses.
"Nós da Unidade Popular somos totalmente contra a jornada 6 por 1, que são jornadas degradantes, exploradoras, em que o trabalhador não tem tempo para poder fazer suas coisas, não tem tempo ao descanso."
No lugar do modelo atual, ela propõe uma redução significativa da carga horária. "Por que não ter uma jornada 4 por 3, em que as pessoas tenham sanidade mental, que elas tenham tempo de lazer, tempo da família?", questiona.
Segundo ela, "os que dizem defensores da família são exatamente aqueles que não dão condições das pessoas estarem em famílias".
"Essa jornada atinge diretamente as mulheres, que são as que têm dupla, tripla jornada de trabalho, porque trabalham, são exploradas no trabalho formal, mas chegam em casa e vivem num trabalho invisível, num trabalho não remunerado, que é o cuidado da casa e os filhos."
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Violência, mercadoria e socialismo

Além da pauta trabalhista, Martins citou o avanço do feminicídio como evidência de que "as mulheres ainda são tratadas como mercadoria, são tratadas como objeto nessa sociedade", e vinculou esse fenômeno à lógica do capitalismo.
O lançamento no 8 de março, data de origem socialista, na União Soviética, foi uma escolha, segundo ela, para demarcar ainda mais essas pautas.
Samara Martins, 36 anos, é dirigente nacional da Unidade Popular (UP). As eleições presidenciais brasileiras estão previstas para outubro de 2026.
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