De acordo com o Kremlin, a conversa que durou cerca de uma hora entre as lideranças foi objetiva, franca e construtiva. Entre os assuntos estiveram as situações na Ucrânia, Venezuela e principalmente no Irã. Ambos não conversavam diretamente desde o final de dezembro e, talvez, a escalada das tensões no Oriente Médio e suas prontas consequências, como o aumento do preço do petróleo, tenha acelerado o diálogo.
Durante a conversa, segundo
Yuri Ushakov, assessor do presidente da Rússia, Putin expressou uma série de considerações visando uma rápida resolução política e diplomática do conflito iraniano, inclusive
à luz de seus contatos com os líderes dos países do Golfo Pérsico, com o presidente do Irã,
Masoud Pezeshkian, e com os líderes de vários outros países.
A posição do líder russo demonstra, conforme Vitor Stuart de Pieri, professor do Departamento de Geografia Humana da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), o protagonismo importante que Moscou ostenta no cenário internacional.
Para os analistas ouvidos pela
Sputnik Brasil, a
posição russa se torna ainda mais forte dada a crise das instituições multilaterais, como a
Organização das Nações Unidas (ONU), e o pouco respeito que os EUA demonstram, muitas vezes, por esses organismos.
Nesse sentido, ele reforça que a conversa entre os dois líderes nesta segunda-feira aconteceu
em pé de igualdade e que Trump respeita a opinião do presidente Putin. Na esteira dos acontecimentos, o analista afirma que a posição da liderança russa é encontrar uma saída diplomática antes que um colapso na economia global ecloda.
Conforme Gonçalves, já há uma crise econômica global devido à elevação rápida do preço do petróleo. "Isso vai determinar um desarranjo econômico em todo o mundo porque o petróleo é uma commodity básica para toda a produção industrial".
O professor de relações internacionais da UERJ aponta que o presidente dos EUA criou uma situação de difícil reversão a partir dos termos que ele coloca. Trump "
apostou todas as fichas na ideia de que poderia mudar o sistema de governo do Irã, como se o
sistema de governo do Irã houvesse sido imposto de fora para dentro e que alguma potência de fora poderia reverter esse processo".
Entretanto, ao menos de imediato, a ideia não funcionou. Agora, conforme acrescenta Gonçalves, os norte-americanos tentam intimidar os iranianos lançando ataques massivos junto de Israel.
"Os iranianos têm uma unidade nacional, o Irã não é a Líbia, o Irã não é a Síria; o Irã tem uma unidade nacional e está dando uma resposta bastante forte, bastante dura".
Além disso, ao contrário do que talvez imaginavam Estados Unidos e Israel, o conflito pode se estender e Trump, segundo de Pieri, tem uma
visão equivocada da guerra.
O cenário, portanto, é de incerteza para Washington, conforme análise dos especialistas. Gonçalves sinaliza que uma solução nos termos propostos por Trump é
"muito difícil" e talvez a única porta para uma saída honrosa para
"um conflito que ele inventou" seja "
aceitar uma mediação da China e da Rússia" para negociar com o Irã.