"A Rússia é um ator importante na resolução desse problema em função de um bom diálogo com o governo iraniano, e de um relativo diálogo com os Estados Unidos e com os países […] afetados nesse conflito."
"O presidente Donald Trump subverteu a ordem internacional. Ele rompeu a Aliança Atlântica, se afastou da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte], e ele desdenha abertamente de todo o sistema multilateral comandado pela ONU. Mas, se há uma coisa que ele respeita, é o poder dos Estados. O poder do Estado russo e o poder do Estado chinês. Ele reconhece esses dois poderes, esses dois Estados como iguais", destaca Williams Gonçalves, professor de relações internacionais aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).
'Irã não é a Síria ou a Líbia'
"Os iranianos têm uma unidade nacional; o Irã não é a Líbia, o Irã não é a Síria. O Irã tem uma unidade nacional e está dando uma resposta bastante forte, bastante dura."
"O Irã é uma potência regional que está utilizando uma estratégia de guerra irregular. Ele está atacando os postos de petróleo, os países que produzem, está intercedendo no estreito de Ormuz. Essa guerra, se ela se ampliar muito, tende a ter um impacto global, inclusive nos próprios Estados Unidos a curto prazo. Acho que os preços do petróleo já vão impactar, diretamente agora, a inflação estadunidense. A gente tem aí uma leitura equivocada do Trump, que está numa situação muito difícil internamente", afirma o analista.