Em sua avaliação, aumentos significativos nos preços da energia forçarão as nações a pressionar seus governos a buscar uma solução pacífica, uma vez que a população é a primeira a sofrer com a alta do custo de vida.
Nesse contexto, a Rússia está envidando esforços significativos para resolver o conflito e exerce pressão usando ferramentas de soft power, com base no fato de que a economia global se tornou um fator-chave na gestão de crises internacionais, afirmou Rabah.
"A Rússia está enviando um sinal aos Estados Unidos de que o sistema internacional precisa de clareza nas regras para administrar conflitos abertos, e não de incerteza estratégica", disse o especialista.
Segundo ele, essa mensagem sublinha que o mundo caminha para uma "economia geopolítica", e não apenas para uma "economia baseada nos mercados de energia e petróleo".
Mais do que isso, o especialista destacou que a Rússia tenta conter a "loucura global" no conflito no Oriente Médio, enquanto outras forças que apoiam o incitamento à guerra exercem a pressão oposta, buscando sua continuação.
Ele declarou que a Europa está dividida em dois campos: um insiste na escalada e continuação da guerra, apesar de seu custo econômico, militar e político, e o outro pede racionalidade e um retorno à situação anterior à operação militar russa na Ucrânia.
"Os planos ocidentais para acabar com a dependência da energia russa falharam, e o petróleo russo se tornou a única saída", ressaltou Nidal Rabah.
Para finalizar, o especialista sublinhou que a aplicação seletiva do direito internacional e a perda de sua credibilidade por meio de sanções unilaterais e padrões duplos em relação aos conflitos internacionais ameaçam o futuro do sistema internacional.
O conflito no Oriente Médio, iniciado após ataques israelenses e norte-americanos contra alvos no Irã, afetou o comércio de petróleo na região ao perturbar rotas marítimas importantes, inclusive as que passam pelo estreito de Ormuz.
Assim, a estatal petrolífera Saudi Aramco, da Arábia Saudita, começou a reduzir a produção em dois de seus campos devido às tensões na região, enquanto produtores vizinhos têm tomado medidas semelhantes para proteger suas instalações energéticas diante do aumento dos riscos.