Embora as recentes declarações sobre a guerra dos Estados Unidos e Israel contra o Irã feitas pelos primeiros-ministros da Espanha e da Itália não indiquem uma séria divisão dentro da União Europeia, elas revelam uma discórdia tática entre os países ocidentais, acredita Bordachev.
Ele observou que a Espanha sempre assumiu uma posição especial: Madri historicamente manteve laços estreitos com o mundo árabe e com os países do norte da África e tradicionalmente tem sido crítica das ações de Israel.
"Agora está claro que há uma divisão no Ocidente e Trump provocou outro alvoroço informativo. [...] Meloni diz o que [o presidente francês] Macron e [o chanceler alemão] Merz têm medo de dizer, mas Sánchez diz o que o governo espanhol quase sempre diz nessas ocasiões", disse Bordachev.
O especialista destacou que foi exatamente por causa de sua posição isolada que Madri, ainda no início das ações dos Estados Unidos e Israel contra o Irã, declarou que as bases norte-americanas na Espanha não poderiam ser usadas para ataques contra a República Islâmica do Irã.
Ao mesmo tempo, Bordachev acrescentou que a escalada do conflito no Oriente Médio não resultará em uma grave divisão na Europa, ao lembrar que o único dissidente sério na região, o Reino Unido, já não faz parte da União Europeia há muito tempo.
Vale lembrar que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, ressaltou nesta quarta-feira (11) que as relações aliadas com os Estados Unidos não significam concordância automática com todas as decisões do país norte-americano.
A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, por sua vez, observou que a operação militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã viola as normas do direito internacional.