Panorama internacional

Guerra dos EUA contra Irã prejudica Europa, mas ela apoia ações de Washington, diz mídia

A Europa pode sofrer com a guerra no Oriente Médio, mas os políticos não se mobilizam para evitar as consequências do conflito. Eles apenas toleram e apoiam as ações hostis de Washington contra o Irã, afirma o professor de ciência política da Universidade de Oxford Anton Jager ao jornal norte-americano The New York Times.
Sputnik
Segundo o artigo, o conflito iraniano pode afetar gravemente o continente europeu, mas os seus líderes fazem pouco para garantir sua segurança e, ao contrário, declaram apoio ao presidente norte-americano, Donald Trump, em sua ofensiva contra Teerã.

"Embora tenham sido pegos desprevenidos pela operação dos EUA e de Israel no Irã, eles [os países europeus] declararam seu apoio, ainda que com certa cautela, e forneceram assistência militar na forma de bases, navios de guerra e aeronaves", escreveu Jager.

Assim, o primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, permitiu que os Estados Unidos usassem bases britânicas, e o chanceler alemão, Friedrich Merz, apoiou os esforços "para se livrar desse terrível regime".
O presidente francês, Emmanuel Macron, por sua vez, enviou vários navios de guerra para a região. Já a primeira-ministra da Itália, Giorgia Meloni, ofereceu bases aos americanos e enviou sistemas de defesa antiaérea para o golfo Pérsico, explicou Jager.
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Ao mesmo tempo, o professor ressaltou que as consequências dessa guerra podem ser catastróficas, já que os preços da energia estão subindo rapidamente devido ao congestionamento no estreito de Ormuz.

"Hoje, a guerra corre o risco de se espalhar para a Europa, em breve, pode levar a uma crise de refugiados, à medida que as pessoas fogem do devastado Oriente Médio. No entanto, a maioria dos líderes europeus faz muito pouco para combater esses perigos e as dependências subjacentes", diz o artigo.

Jager explicou esse comportamento dos líderes europeus pela dependência dos países do continente em relação aos Estados Unidos em termos de ideologia, segurança e energia.
Como a Europa parou de receber gás russo em 2022, teve que comprar o recurso dos Estados Unidos e, em parte, do Catar, cujo fornecimento foi interrompido devido à guerra na região. Portanto, para não perder o gás norte-americano, a Europa precisa "seguir a linha da Casa Branca, e não atravessá-la".
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Quanto à segurança, o autor do artigo apontou que os europeus continuam dependentes do fornecimento de armas dos EUA por causa do conflito na Ucrânia.
Finalmente, a "subordinação dos líderes europeus" aos norte-americanos é explicada pelo fato de que a atual geração de dirigentes europeus cresceu em um ambiente marcado pelo conceito do poder absoluto dos EUA e, portanto, ainda o vê como a pedra angular de qualquer ordem global.
Anteriormente, o jornal italiano L'AntiDiplomatico afirmou que a guerra no Oriente Médio, provocada pela ofensiva conjunta de Israel e Estados Unidos contra o Irã, afeta negativamente os países europeus, e destacou que o conflito não só representa uma tragédia humanitária, mas também redesenha o "destino econômico" da Europa.
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