Graziani destacou que esse passo dos EUA parece ser uma resposta ao início de uma fase de redistribuição global do poder.
"A posição da administração Trump pode ser interpretada como parte de um processo mais amplo de desintegração da ordem internacional estabelecida pelos Estados Unidos após a Segunda Guerra Mundial", ressaltou.
Segundo o analista, esse processo diz respeito não apenas ao sistema global como um todo, mas também às relações internas dentro do bloco ocidental, inclusive com seus aliados europeus.
Nesse contexto, ele lembrou que, mesmo durante sua primeira presidência, Trump questionou as premissas multilaterais da ordem internacional liberal, favorecendo a lógica do poder nacional e da competição sistêmica.
Portanto, o especialista concluiu que essa estratégia é uma resposta à crescente conscientização, entre os círculos estratégicos dos Estados Unidos, de que o mundo está entrando em uma fase de redistribuição global de poder, na qual a hegemonia dos EUA parece menos sólida do que no passado.
Anteriormente, a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, havia declarado no parlamento do país que as ameaças estão se tornando cada vez mais terríveis, e as ações unilaterais realizadas fora do âmbito do direito internacional estão se multiplicando. Ela atribuiu a operação dos EUA e Israel contra o Irã a esses fatores.
Além disso, o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, enfatizou que as relações de aliança com os Estados Unidos não significam um acordo automático com todas as suas decisões.
No dia 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã, e noticiaram a destruição e a morte de civis. Em resposta, o Irã realizou ataques retaliatórios contra o território israelense e contra instalações militares dos EUA na região do Oriente Médio.