2ª Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI

Apenas 27 veteranos brasileiros da 2ª Guerra Mundial estão vivos, aponta Censo da FEB (VÍDEOS)

A presença da Força Expedicionária Brasileira (FEB) foi de fundamental importância no esforço dos Aliados na luta contra o Eixo nazifascista na Europa. Para preservar a memória desse legado histórico, um grupo de historiadores é responsável pelo Censo Permanente da FEB, projeto que monitora quantos pracinhas ainda estão vivos no país.
Sputnik
Em entrevista exclusiva à Sputnik Brasil para o terceiro capítulo da série "Segunda Guerra Mundial: ecos, lições e marcas no século XXI", o historiador Daniel Dinucci, um dos responsáveis pelo censo e autor do livro "São Gonçalo e a Segunda Guerra Mundial (1944-45)" a ser lançado neste ano, explicou à Sputnik Brasil a metodologia utilizada e os objetivos da iniciativa.

"O Censo Permanente da FEB foi criado em 2020, na pandemia. Essa demanda surgiu entre os pesquisadores e familiares que queriam saber quantos veteranos ainda estavam vivos. De lá para cá, já contabilizamos mais de 100 veteranos. Começamos 2026 com 30 ex-combatentes vivos, mas atualmente temos apenas 27, e a maioria está no estado do Rio de Janeiro", comentou.

Ao longo do processo de localização dos veteranos, novas experiências vêm à tona e contribuem para ampliar a historiografia brasileira sobre o período, consolidando o Censo Permanente da FEB também como uma fonte aberta para pesquisadores de qualquer parte do mundo.
Nesse contexto, Dinucci entrevistou um ex-combatente que conheceu o sargento Ciber Mendonça, pracinha de São Gonçalo, município da região metropolitana do Rio, morto na Itália e sobre o qual ainda existem poucos registros.

"Conversar com um expedicionário é uma experiência riquíssima, e cada entrevistador obtém materiais diferentes. No meu caso, conheci o capitão Souza, que esteve com o Ciber Mendonça, daqui de São Gonçalo, que faleceu antes do ataque a Monte Castello, e eu não havia conhecido alguém que tivesse estado com ele. Nosso trabalho é importante nesse sentido, e vamos seguir até que o último combatente se vá", disse.

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Desafios de Castelnuovo e Soprassasso

A data de 5 de março de 1945 é emblemática na história militar do Brasil por remeter ao teatro de operações, na Itália, na região de Castelnuovo e Soprassasso, conquistada pelas tropas da FEB após uma disputa sangrenta contra os fascistas, que custou a vida de muitos brasileiros, como relata Dinucci.

"A região de Castelnuovo e Soprassasso foi conquistada após um combate extremamente difícil, que na ocasião resultou em muitas baixas. Em Campinas, há um museu que possui um capacete furado por estilhaços usado por um expedicionário brasileiro que faleceu nessa batalha. Literalmente, a FEB sangrou para empreender essa conquista e libertar a população que vivia ali", explicou.

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Cabo Alfredo Ruano (antes de ser promovido a sargento). Foto tirada durante a Segunda Guerra Mundial
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Cabo Alfredo Ruano (antes de ser promovido a sargento) é o primeiro em pé da direita para a esquerda. Foto tirada durante a Segunda Guerra Mundial
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Região de Soprasasso Castelnuovo durante a Segunda Guerra Mundial
O pesquisador também teve acesso a um material privilegiado e raro: o acervo do 3º sargento Alfredo Ruano, natural de Mogi das Cruzes, onde viveu até os 84 anos. Ele participou desses ataques como membro da Companhia de Petrechos Pesados, uma espécie de mini artilharia.

"Infelizmente não o conheci pessoalmente, mas, através dos documentos, é possível ter ideia de como foi sua participação nesse combate", revelou.

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Italianos ainda lembram da FEB como libertadores

O período de fevereiro a abril, que compreende as vitórias da FEB em Monte Castello, Castelnuovo, Soprassasso e Montese, faz com que a imagem dos brasileiros na Itália seja sempre lembrada como a de libertadores. Segundo Dinucci, isso também demonstra a boa relação que as tropas brasileiras mantiveram com a população civil italiana.

"Principalmente no norte da Itália, onde a FEB libertou as cidades, há festividades com pessoas cantando até o hino do Brasil e a Canção do Expedicionário. A relação entre nossas tropas e os civis foi intensa, muito pelo nosso jeito caloroso e também pelos pracinhas ítalo-brasileiros. No pós-guerra, inclusive, houve casamentos entre combatentes brasileiros e italianas", concluiu.

A história dos pracinhas da FEB, assim como outros feitos das forças aliadas contra os nazifascistas, revela como as marcas desse conflito de proporções globais continuam presentes no mundo contemporâneo e como a compreensão e a reflexão sobre seus impactos seguem sendo necessárias.
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