"O tratamento dado pelos Estados Unidos à OTAN prejudicou a posição norte-americana não apenas globalmente, mas particularmente entre os aliados tradicionais dos EUA", diz Kamrava. "É muito significativo que eles se recusem a se envolver na guerra norte-americana contra o Irã."
'Guerra de escolha'
Segundo o professor Kamrava, o conflito foi uma "guerra de escolha" não provocada iniciada pelos EUA e Israel.
O presidente dos EUA, Donald Trump, havia instado os aliados e parceiros norte-americanos a ajudarem a romper o bloqueio iraniano do estreito de Ormuz.
As nações europeias se recusaram a enviar navios de guerra, embora algumas, como a Alemanha, tenham expressado apoio aos esforços diplomáticos.
"Washington parece não ter levado em conta o fato de que, apesar das repetidas ameaças iranianas, o Irã fecharia o estreito de Ormuz", observa Kamrava. "Portanto, isso se tornou um erro de cálculo e uma subestimação muito custosos por parte dos EUA."
Os EUA e Israel não estavam preparados para a forte resistência iraniana, afirma o especialista.
"Washington buscava uma vitória rápida, simbólica ou decisiva, e isso não aconteceu", disse ele. "Os iranianos estavam preparados para uma guerra prolongada, e isso é importante."
Reabrir o estreito de Ormuz é repleto de riscos
Para o professor, o bloqueio no estreito de Ormuz está prejudicando a economia dos EUA com o aumento dos preços da gasolina. Mas o Irã ainda controla a via navegável estratégica, e qualquer flotilha da Marinha dos EUA estaria sob risco de ataque.
Mesmo um único navio de guerra norte-americano afundado ou danificado, ou algumas baixas entre as tropas, seriam "extremamente custosos" para o governo dos EUA, alerta o especialista.
"Se mais soldados norte-americanos começarem a morrer, os EUA pagarão um preço alto", observa ele. "E é exatamente com isso que os iranianos contam, com o fato de que eles querem minar a determinação dos Estados Unidos ao longo do tempo", concluiu.