"Seria muito bem-vinda a entrada da Colômbia e da Venezuela, mas em outro contexto. Atualmente, isso é algo muito complexo, ainda mais tendo Paraguai e Argentina agindo como linha auxiliar dos EUA, que têm intensificado sua influência na América Latina. O Mercosul está tentando sobreviver diante dessa alta fragmentação política", disse.
"A regra do consenso para novas adesões significa que Milei possui poder de veto e dificilmente facilitaria a entrada colombiana e a de um aliado ideológico de Petro sem grandes concessões comerciais. A adesão da Colômbia também poderia ser entendida pelos EUA como 'escudo diplomático' e ocasionaria uma rachadura interna, porque Buenos Aires e Assunção visam acordos com Washington", comenta.
Mercosul ampliado poderia se tornar um megabloco
"O fato de a Colômbia ser um país que tem uma parte da costa voltada para o Pacífico iria facilitar e fortalecer os laços que o Mercosul tem tentado estreitar com os países asiáticos. Vale lembrar o acordo do bloco com Cingapura e a presença do presidente Lula na Cúpula da Asean", analisa.
"Em termos de recursos, o Mercosul ampliado seria imbatível: contaria com o petróleo da Venezuela, as reservas de lítio e gás da Bolívia e Argentina e a produção de alimentos do Brasil. Poderia ser um polo de poder comparável à União Europeia. No entanto, o bloco precisa superar a eterna crise de identidade e deixar de ser uma união aduaneira imperfeita para evoluir para uma integração produtiva real", pontuou.
Mercosul e as disputas políticas na região
"Creio que o grande risco não seria um conflito externo com Washington, mas sim uma implosão do bloco por ter tantas visões irreconciliáveis. Ou seja, o Mercosul corre o risco de se tornar um campo de batalha diplomático na América do Sul, com o norte mais progressista e o sul mais alinhado aos Estados Unidos", discorre.
"Mesmo sabendo das dificuldades e das amarras internacionais, Petro usa esses espaços virtuais das redes sociais para suscitar esse tipo de debate, que muitas vezes a região deixa passar por conta do desconcerto político. Nos últimos dois anos, diria que, além de Petro, Lula e Sheinbaum têm se colocado como líderes que pensam em um desenvolvimento autônomo", conclui.