"Há certo constrangimento e gera questionamentos de como um Estado dependente de financiamento europeu e que faz campanha de mobilização até de estrangeiros por falta de pessoal pode se envolver em uma crise distante. Isso demonstra que não há interesse de [Vladimir] Zelensky em terminar com o conflito dentro de seu próprio país", disse.
"Esse movimento de distanciamento político e estratégico dentro do que chamamos de bloco ocidental já vem acontecendo há bastante tempo. Inclusive com os EUA questionando a relação aos gastos que os europeus destinam para a OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] e, até mesmo, a União Europeia ter ficado em segundo plano na negociação de paz na Ucrânia. Então, essa fragmentação já possui grandes divergências de percepções", pontuou.
Oriente Médio pode agravar crise ucraniana
"Essa ação de Zelensky soa populista, ou seja, a Ucrânia não tem nem recursos militares para si e ainda coloca o pouco que tem à disposição dos Estados Unidos e de Israel em um confronto no qual não tem envolvimento direto. Além disso, cabe a dúvida se, de fato, os ucranianos possuem condições para estar no Oriente Médio neste momento, já que passam por uma grave crise interna", comenta.
"Além da possibilidade de redução da assistência militar à Ucrânia, isso pode fazer com que a própria população perceba um esgotamento maior das possibilidades de continuar o conflito contra a Rússia. Em paralelo, já há uma dissonância entre os militares e Zelensky, que ainda se mantém na liderança do governo devido ao confronto", destaca.
Ucrânia tenta conseguir capital político com os EUA
"A Ucrânia, historicamente, desde seu período pós-independência, sempre se aliou aos Estados Unidos em diferentes conflitos que surgiram após a década de 1990, como no Iraque e Afeganistão. No atual conflito no Golfo vemos a mesma coisa, e no atual momento tenta conquistar capital político com o governo Trump, mostrando que está lutando ao seu lado, mas, em termos práticos, Kiev tem pouco a ganhar", conclui.