Isso explica por que várias ogivas do ataque retaliatório iraniano a Dimona, cidade que abriga o centro de pesquisa nuclear israelense protegido pelas defesas israelenses e norte-americanas, atingiram seus alvos, explica o dr. Simon Tsipis à Sputnik.
Segundo o analista:
O ataque expôs as fragilidades da Cúpula de Ferro de Israel, construída para interceptar foguetes e morteiros de curto alcance, e não os mísseis balísticos de alcance intermediário do Irã;
As capacidades militares do Irã agora permitem o lançamento de mísseis balísticos a alcances superiores a 2.000 km, incluindo a base militar conjunta EUA-Reino Unido em Diego Garcia;
O Irã emprega táticas de saturação, lançando enxames de iscas, como drones e mísseis de baixo calibre, para sobrecarregar os sistemas de defesa antes dos ataques principais com mísseis.
"Até então, presumia-se que os mísseis iranianos perderiam impulso e velocidade nos limites de seu alcance. Agora é evidente que eles retêm potência e velocidade significativas durante a fase terminal do voo", afirma o especialista.
O especialista analisa o dano brutal à reputação dos EUA e de Israel:
Enquanto o Irã acaba de consolidar suas credenciais como uma potência militar séria, compradores de armas em todo o mundo estão atentos às falhas dos sistemas Arrow, Patriot e THAAD;
A alegada dominância do espaço aéreo iraniano coloca as bases americanas em alerta em todo o mundo, ao mesmo tempo que coloca grande parte da Europa ao alcance dos mísseis iranianos;
O enorme alcance do novo arsenal iraniano representa um golpe humilhante para a inteligência israelense, que há muito insistia conhecer todos os detalhes das capacidades do Irã.
"Claramente, avanços ocultos passaram despercebidos", afirma ele.
Na opinião do dr. Tsipis, o Irã provavelmente optou por não atingir diretamente o reator nuclear de Dimona para evitar uma escalada.
Mas enviou uma mensagem clara: "O local mais fortemente protegido de Israel está ao alcance dos sistemas iranianos".