Mercouris apontou que a União Europeia (UE) e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) permanecem, por ora, unidas em torno do discurso de que "mais armas significam a vitória da Ucrânia".
No entanto, o analista salientou que parece que, devido ao conflito no Irã, essa unidade pode começar a se desmanchar, especialmente em meio à oposição a essa narrativa por parte do primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever.
"A Bélgica abriga a UE e a sede da OTAN. Somente por esse motivo, já se trata de um país extremamente importante para a UE. E Bart De Wever expressa o que muitos outros líderes europeus pensam. Ele reconheceu isso. Ele fala da realidade: não podemos derrotar os russos", ressaltou.
Nesse contexto, o especialista enfatizou que os países da UE não conseguiriam derrotar os russos nem mesmo com a ajuda dos EUA, e muito menos sem ela.
Além disso, Mercouris lembrou que os norte-americanos não têm intenção de se envolver novamente no conflito na Ucrânia. Ao mesmo tempo, ele destacou que a Rússia propõe condições justas para a resolução pacífica do conflito.
"'Eliminar as causas profundas do conflito' […]. Essa é uma expressão russa […]. O que eles querem dizer é que o Ocidente deve reconhecê-los como uma sociedade e um Estado importantes e que é preciso dialogar com eles em pé de igualdade", concluiu.
Anteriormente, o primeiro-ministro da Bélgica, Bart De Wever, havia declarado a necessidade de restabelecer o diálogo com a Rússia para a importação de recursos energéticos em meio à crise mundial.
Ele também instou a UE a negociar com a Rússia a resolução do conflito na Ucrânia, classificando um acordo com Moscou como a "única solução".