Panorama internacional

Economia travada: os gargalos marítimos que podem atrasar o mundo

Com o fechamento parcial do estreito de Ormuz, a Sputnik Brasil lista as principais rotas comerciais dos oceanos que possuem fragilidades logísticas, seja por questões geográficas, políticas ou climáticas.
Sputnik
O bloqueio parcial do estreito de Ormuz, promovido pelo Irã após os ataques de Estados Unidos e Israel ao país, acendeu o alerta sobre a fragilidade do mercado de transporte marítimo. O fechamento do corredor, que tem em seu ponto mais estreito 54 quilômetros de extensão, chamou a atenção para o gargalo a que parte da produção de petróleo e gás global está sujeita.
O caso de Ormuz remete ao bloqueio no canal de Suez, que hoje completa cinco anos. À época, um navio da empresa Evergreen encalhou no local e bloqueou a passagem de outras embarcações por seis dias, fechando a principal rota comercial entre Ásia e Europa. Estima-se que o episódio tenha gerado prejuízo de até US$ 10 bilhões (mais de R$ 52,8 bilhões, em valores atuais) para a economia global.
Nesta lista, a Sputnik Brasil cita outros pontos do transporte marítimo global reconhecidos como gargalos importantes para o comércio internacional.

Estreito de Malaca

O nome pode ser desconhecido para a maioria dos brasileiros, mas o estreito de Malaca, localizado entre Cingapura e Malásia, é uma das principais passagens de carga marítima em todo o mundo. Aproximadamente 40% do comércio mundial atravessa o estreito, podendo chegar a 100 mil navios por ano.
A hidrovia, que em sua parte mais estreita tem 2,7 quilômetros de comprimento, liga o Oriente Médio à Europa, sendo muito utilizado, principalmente pela China. Pequim, por sua vez, entende que esse gargalo pode ser contornado com a construção de um canal que atravesse a Tailândia, o que diminuiria a viagem de navios pela região em cerca de 1.000 quilômetros.
Irã ameaça fechar completamente o estreito de Ormuz

Canal do Panamá

O canal do Panamá é uma das rotas marítimas mais conhecidas do mundo, ligando os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma hidrovia artificial que cruza o país centro-americano. Com 82 quilômetros de extensão, o canal conta com sistemas de comportas para que os navios possam transitar entre os desníveis ao longo do caminho.
A hidrovia é a principal rota para o transporte de cargas da Europa para a costa oeste do Canadá e dos Estados Unidos, assim como mercadorias norte-americanas para países sul-americanos banhados pelo Pacífico.
Uma seca histórica em 2023, todavia, fez com que o número de navios que trafegavam pelo canal caísse diariamente de 36 para 22. As embarcações também precisaram circular com menos carga para diminuir o peso, o que afetou cerca de 5% de todo o comércio marítimo global.
O canal também é alvo de disputa entre empresas pelo controle da operação. Neste ano, a Suprema Corte do Panamá considerou inconstitucional o contrato de concessão entre o governo panamenho e a Panama Ports Company (PPC), subsidiária do conglomerado CK Hutchison, com sede em Hong Kong. Essa decisão foi aplaudida nos Estados Unidos, que construíram a hidrovia, inaugurada em 1914.
Navio cargueiro trafega próximo à costa do Marrocos pelo estreito de Gibraltar, em abril de 2025

Estreito de Gibraltar

A curta faixa de água que separa África e Europa ganhou o nome de estreito de Gibraltar, uma das rotas marítimas mais conhecidas no mundo. Cerca de 100 mil navios cruzam a hidrovia por ano, sendo esta a principal ligação entre o leste do mar Mediterrâneo e a região norte do Atlântico.
Além de balsas e navios de cruzeiros para o transporte de pessoas, o estreito também abriga a passagem de cargueiros e petroleiros, o que gera receio de que acidentes possam causar o vazamento de combustíveis fósseis na área, que tem cerca de 14 quilômetros de largura em seu ponto mais estreito.

Estreito de Bab el-Mandeb

Para um navio trafegar pelo estreito de Ormuz em direção ao canal de Suez, ele precisa passar pelo estreito de Bab el-Mandeb, entre as costas de Djibuti, Eritreia e Iêmen. O nome em árabe significa "Portão da Lamentação", nomeado dessa forma pela dificuldade de navegar pela região devido aos ventos e recifes.
Atualmente, as embarcações, que transportam pela área gás, petróleo e mercadorias entre África, Ásia e Europa sofrem com a instabilidade política na região e os ataques de navios piratas. Seguradoras afirmam que a insegurança para navegar na região aumentou significativamente o transporte por rotas mais longas, como ao redor do Cabo da Boa Esperança, no extremo sul da África, o que aumenta o tempo de viagem em até 14 dias.
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