De acordo com o Relatório de Política Monetária, divulgado pela autoridade monetária, o crescimento de 1,6% do PIB neste ano, se confirmado, será o pior resultado em seis anos, desde 2020, quando houve retração de 3,3% por conta da Covid-19. Destaca-se que a principal razão é a crise que resulta da guerra atual no Oriente Médio.
Segundo a publicação, em caso de prolongamento do recente conflito na região do golfo Pérsico, seus efeitos devem ficar mais nítidos. Neste caso, a expansão do PIB neste ano pode ser menor ainda.
"Embora alguns setores da economia brasileira, especialmente o petrolífero, possam se beneficiar, os efeitos agregados predominantes do conflito na economia global e na doméstica devem ser os usuais de um choque negativo de oferta, aumentando a inflação e diminuindo o crescimento [da economia]", informou o BC.
No que se refere à inflação, a autoridade informou que a taxa passará de 3,5% em dezembro do ano passado para 3,9% neste ano. A expectativa do BC ainda está abaixo da previsão do mercado financeiro, que é de 4,17% para 2026.
O início da guerra no Oriente Médio tem pressionado o mercado internacional de energia, com disparada no preço do petróleo para um patamar acima de US$ 100 por barril (contra US$ 72 antes do conflito).
A alta do petróleo, por sua vez, já está impulsionando os preços dos combustíveis no país, com repercussão na inflação doméstica, explica-se no artigo publicado.
"O Comitê [de Política Monetária] considera os impactos dos conflitos no Oriente Médio de forma prospectiva, em particular seus efeitos sobre a cadeia de suprimentos global e os preços de commodities [como petróleo] que afetam direta e indiretamente a inflação no Brasil", explicou o Banco Central.
Para atingir as metas de inflação, o BC calibra o nível da taxa de juros, atualmente em 14,75% ao ano, tendo por base projeções para os próximos anos. Neste momento, o Banco Central já está mirando a meta considerando o terceiro trimestre de 2027.