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À Sputnik Brasil, ativista detalha missão humanitária à ilha em meio bloqueio dos EUA

A viagem do México à ilha de Cuba era para durar menos de três dias, mas o superaquecimento do motor fez com que o Comboio Nuestra América, em que estava o ativista brasileiro Thiago Ávila, demorasse mais de cinco dias para concluir seu destino final.
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Ávila participou da iniciativa internacional de solidariedade a Cuba que levou mais de 50 toneladas de mantimentos, medicamentos, equipamentos e painéis solares.
Após a viagem exaustiva, ele ainda foi levado para interrogatório no aeroporto internacional do Panamá, quando aguardava o voo de volta para o Brasil, na quarta-feira (24). Lá ele ficou detido por cerca de seis horas.
Ainda assim, a viagem foi revigorante, de acordo com o ativista, que já participou de inúmeras flotilhas de ajuda humanitária, e disse estar acostumado a ser intimidado por autoridades de países "cúmplices de atos genocidas".
"A missão do comboio Nuestra América e da flotilha Nuestra América foi uma missão muito inspiradora. Cuba é o país mais solidário do mundo, então essa é uma missão que acontece em retribuição a tudo que o povo cubano e a grande nação cubana faz pelo mundo há décadas, desde a Revolução em 1959", disse ele.
No ano passado, Ávila foi preso por forças de Israel ao tentar chegar à Faixa de Gaza em uma embarcação com ajuda humanitária destinada à população palestina, ao lado de outros ativistas internacionais, como a sueca Greta Thunberg.
Ele comentou que esse tipo de perseguição a pessoas que lutam contra opressões e violações cometidas por Estados sempre ocorreu ao longo da história, sobretudo, nos períodos em que ações genocidas estão em curso como agora, afirmou.

"O Panamá não é a primeira vez, não vai ser a última. É um país, infelizmente, ainda colônia dos EUA, onde foi instalado durante as ditaduras militares a Escola das Américas, onde eram treinados oficiais das ditaduras pelo exército dos EUA, pela CIA e pelo FBI e ainda hoje existe uma pressão muito grande, um governo muito submisso", criticou Átila.

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Situação de Cuba 'é dramática'

A ilha caribenha vem enfrentando blecautes, inclusive nacionais, nas últimas semanas, depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, começou, em janeiro, a ameaçar impor tarifas de importação sobre países que vendessem ou fornecessem petróleo a Cuba, sob a justificativa de ameaça à segurança nacional proveniente de Havana.
A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou que o bloqueio a Cuba viola o direito internacional, e países como México, Rússia, China e Irã seguiram colaborando com Cuba, mesmo diante das pressões dos EUA.
Segundo Ávila, o cenário que encontrou na ilha é dramático e exige mobilização planetária.

"Chegar em Cuba confirmou a preocupação sobre esse senso de urgência, de quanto é grave a situação e necessário a gente atuar, intensificar os esforços [...] no fim fica isso, compreendendo que Cuba, Venezuela, Brasil, México, Colômbia, Líbano, Palestina, Irã, Iêmen e tantos outros países estão conectados ao que vai ser do mundo, está sendo decidido agora, seja no campo de batalha, ali na Ásia Ocidental, seja nas disputas diplomáticas, institucionais, políticas, econômicas, comunicacionais".

Somente uma mobilização mundial pode prevenir que a situação crítica por que passa Cuba não se multiplique no mundo e "para que o Brasil não seja o próximo, para que a Colômbia não seja a próxima, um dos países que tem eleições agora", defendeu ele.

"O destino de Cuba, do povo palestino, de todos esses povos, será também o destino dos demais povos da humanidade", argumentou. "O senso de urgência é esse, de que não apenas Cuba, mas pela nossa própria independência, soberania e alta determinação, nós precisamos nos mobilizar agora", ponderou ele, que já se prepara para uma nova flotilha rumo à Faixa de Gaza novamente, em 12 de abril.

Ele explicou que a missão para Palestina começará em Barcelona de onde sairão barcos que se juntarão a embarcações da Itália, Grécia e Turquia.

"A gente entende que a situação de Gaza está longe de ser resolvida. Em cinco meses de um falso cessar-fogo, mais de 650 pessoas foram assassinadas em Gaza por bombas, por rifles, por drones, por tanques", lamentou o ativista.

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