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Como se manifesta a solidariedade internacional com Cuba diante da pressão dos EUA?

© AP Photo / Ramon EspinosaUm homem anda de bicicleta ao longo da Baía de Havana, onde o navio da Marinha Mexicana Isla Holbox chega a Cuba, transportando ajuda humanitária, segundo o governo do México, 12 de fevereiro de 2026
Um homem anda de bicicleta ao longo da Baía de Havana, onde o navio da Marinha Mexicana Isla Holbox chega a Cuba, transportando ajuda humanitária, segundo o governo do México, 12 de fevereiro de 2026 - Sputnik Brasil, 1920, 18.02.2026
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Diante de uma situação cada vez mais crítica, em consequência do bloqueio imposto pelos EUA ao fornecimento de combustível a Cuba, diversos países, instituições, empresas e governos estão organizando o envio de ajuda humanitária à ilha.
É o caso da Rússia, aliada histórica de Cuba, que denunciou como essas ações de forças externas buscam exacerbar a crise energética na nação caribenha, com o objetivo, entre outros, de gerar descontentamento na população e desconforto entre cidadãos estrangeiros.
O professor Yosmany Fernández Pacheco, do Instituto Superior de Relações Internacionais Raúl Roa García (ISRI), declarou à Sputnik que o fortalecimento e o aprofundamento das relações entre Moscou e Havana estão se tornando cada vez mais evidentes: "É um laço que resistiu ao teste do tempo e das circunstâncias".

"Esses são laços estratégicos para ambas as nações, independentemente do momento histórico. Ambos os países defendem relações independentes, baseadas na liberdade, sem imposições estrangeiras e dentro de uma estrutura de colaboração. Essa relação vai além das trocas entre governos e se estabelece entre povos e famílias", acrescentou.

O acadêmico observou que, dada a difícil situação atual sob as novas sanções e a ofensiva de Washington, a Rússia "demonstrou seu apoio à ilha e condenou essas medidas".
Paralelamente, uma coalizão internacional de movimentos sociais, sindicatos e organizações humanitárias anunciou recentemente o lançamento de uma missão marítima, chamada Nossa América, para entregar alimentos, medicamentos e suprimentos necessários no contexto atual a Cuba.
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Durante um pronunciamento à nação, o presidente cubano Miguel Díaz-Canel afirmou que "Cuba não está sozinha", aludindo aos governos e entidades estrangeiras que manifestaram interesse em ajudar a ilha caribenha.

Cooperação latino-americana com a ilha

No dia 12 de fevereiro, dois navios mexicanos chegaram a Havana carregando ajuda humanitária, composta por 814 toneladas de alimentos e outros suprimentos. Segundo o Ministério do Comércio Interno de Cuba, a ajuda será distribuída à população da capital e das províncias de Artemisa, Mayabeque e do município especial de Isla de la Juventud.
De acordo com o professor universitário Fabio Fernández, a ajuda enviada pela nação latino-americana, em um contexto difícil para a ilha, "reflete a vontade soberana daquele país de manter seus laços de cooperação, não tanto com o governo, mas com o próprio povo cubano, diante de uma crise humanitária".

"Acho isso muito valioso e corajoso, porque há forte pressão de Washington contra o México, da direita contra o governo de Claudia Sheinbaum e até mesmo de pessoas que podem ser de esquerda, mas temem que a política excessivamente amigável da presidente em relação a Cuba possa ter consequências negativas para a relação muito próxima que o país mantém com os EUA", disse ele à Sputnik.

Contudo, ele observou que os laços entre o México e Cuba são muito importantes, visto que "uma convergência cultural se desenvolveu entre essas duas áreas geográficas desde os tempos coloniais, que posteriormente deu lugar a uma relação estatal marcada por harmonia e proximidade, mesmo dentro da estrutura de diferenças ideológicas e políticas".
Ele acrescentou que existe uma relação cordial entre os governos dos dois países praticamente desde a década de 1970; apesar das diferenças, "chegamos a um ponto em que o México se tornou um importante apoio para a ilha, especialmente no fornecimento de petróleo, um tema candente agora em relação à continuidade desse fornecimento".
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Por sua vez, o presidente chileno, Gabriel Boric, defendeu a entrega de ajuda humanitária a Havana — que está prevista para ser canalizada através do Fundo Chileno de Combate à Fome e à Pobreza — e descreveu o bloqueio dos EUA como criminoso, desumano e um ataque aos direitos humanos da população.
Além disso, trabalhadores do setor petrolífero e movimentos sociais no Brasil estão promovendo uma campanha chamada "Petróleo para Cuba", que visa pressionar o governo brasileiro e a Petrobras a enviarem hidrocarbonetos para Cuba.

Compromisso com o multilateralismo

Segundo o pesquisador do Centro de Pesquisa de Política Internacional (CIPI) Eduardo Regalado Florido, a decisão do presidente chinês Xi Jinping de aprovar novas rodadas de ajuda emergencial em 2026, em um contexto de intensificação das sanções dos EUA contra Cuba, reafirma a autonomia de sua política externa e seu compromisso com o multilateralismo.
Em conversa com este veículo de comunicação, o especialista valorizou o fato de que essa ação projeta o gigante asiático não apenas como uma potência econômica, mas como um contrapeso geopolítico que desafia a eficácia de medidas coercitivas unilaterais.
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A este respeito, ele salientou que, ao apoiar a viabilidade econômica de Cuba, Pequim "envia um sinal claro sobre sua disposição de proteger seus parceiros estratégicos no Caribe, consolidando uma esfera de influência baseada na cooperação e no respeito à soberania, em contraste com as políticas de pressão diplomática de Washington".
Segundo o acadêmico, em nível regional, o apoio a Cuba faz parte da Iniciativa de Segurança Global e da Iniciativa de Desenvolvimento Global, onde o gigante asiático se posiciona como líder do Sul Global, defensor do direito das nações de escolherem seu próprio sistema político.

"As implicações geopolíticas incluem o fortalecimento da posição de Havana em fóruns internacionais e sua integração como país parceiro do BRICS, processo no qual o apoio chinês foi fundamental. Essa aliança estratégica serve como modelo de resistência ao unilateralismo e garante espaço para manobras diplomáticas externas ao governo cubano", afirmou.

Ele mencionou que a narrativa de um futuro compartilhado entre a ilha e a China tem exemplos concretos, como a criação de empresas conjuntas de biotecnologia, a modernização da infraestrutura de telecomunicações e o estabelecimento de protocolos compartilhados de segurança cibernética — compromissos protegidos por acordos intergovernamentais de longo prazo.
Em sua opinião, a cooperação com o gigante asiático funciona como um mecanismo direto de mitigação dos efeitos do bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos e sua intensificação nas últimas semanas, ao facilitar o acesso a recursos indisponíveis em outros mercados.
"Diante da impossibilidade de utilizar o sistema financeiro internacional convencional, Cuba encontra nos empréstimos e doações emergenciais do governo chinês uma forma de importar tecnologia médica, equipamentos de transporte e componentes industriais essenciais", acrescentou o especialista, que também possui mestrado em Economia Internacional.
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Ele destacou o apoio diplomático de Pequim nas Nações Unidas (ONU) na exigência do fim dessa política, complementado por iniciativas concretas que rompem o bloqueio econômico e permitem que Cuba mantenha suas operações básicas apesar das pressões externas — "apoio vital para impedir a inclusão do país na lista de 'Estados patrocinadores do terrorismo'".

"A relação entre os dois países está se tornando um pilar da resiliência nacional, permitindo que o país mantenha seus programas sociais e infraestrutura estratégica em um ambiente de estrangulamento financeiro", concluiu.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou sua preocupação com a situação humanitária da ilha, que, em sua opinião, se agravará ou entrará em colapso se suas necessidades de petróleo não forem atendidas, e enfatizou a importância da continuidade do diálogo e do respeito ao direito internacional.
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