Segundo a Folha de S.Paulo, a tentativa de Flávio Bolsonaro (PL) de se apresentar como um político moderado cria um desafio central para sua pré‑candidatura à Presidência. Aliados defendem que seu estilo menos agressivo o diferencia do pai, Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, e poderia ampliar seu alcance eleitoral.
De acordo com pesquisadores consultados pela mídia, a estratégia tem limites, já que Flávio está inserido em um projeto político autoritário e sua trajetória é inseparável do bolsonarismo. A esquerda, percebendo essa vulnerabilidade, já trabalha para desconstruir a imagem moderada construída pelo senador.
Aliados argumentam que Flávio é "dócil e equilibrado" e que sua rejeição pode cair ao longo da campanha, pois parte dela seria herdada do pai. Acreditam que a moderação não afastará o núcleo duro bolsonarista, já que ele é visto como um herdeiro legítimo.
A campanha tenta combinar discurso linha‑dura na segurança pública com gestos voltados a pautas sociais, como vídeos sobre creches, condenação ao racismo e apoio à liberdade sexual. Essa estratégia ecoa tentativas anteriores, como sua campanha à Prefeitura do Rio em 2016, quando buscou se apresentar como versão polida do pai, sem sucesso.
Especialistas afirmaram à Folha que "bolsonarismo moderado" é uma contradição, pois o movimento se sustenta na radicalização e no ataque às instituições. Para eles, Flávio carrega essa essência como parte constitutiva de sua identidade política, o que limita sua capacidade de ocupar o centro.
Em paralelo, outros analistas discordam e dizem que movimentos radicais podem se moderar com o tempo, defendendo que há diferentes "bolsonarismos" e que apenas uma minoria defende pautas abertamente autoritárias.
Ainda assim, eles avaliam que Flávio enfrentará dificuldades para equilibrar demandas da base radical com a imagem moderada que tenta construir.
A trajetória política do senador reforça sua ligação com o bolsonarismo: homenagens a figuras controversas, defesa pública do pai em episódios de racismo e elogios à ditadura, além de minimizar a tentativa de golpe de 8 de janeiro. Ele também já defendeu indulto ou anistia a Jair Bolsonaro, mesmo diante de eventual resistência do Supremo Tribunal Federal (STF).
No entanto, juristas apontam que essas declarações têm caráter minimamente controverso, por violarem a separação de poderes prevista na Constituição.