Os ataques dos Estados Unidos contra o Irã levaram ao fechamento do estreito de Ormuz, uma das principais rotas globais para o transporte de petróleo gás natural liquefeito (GNL) produzido na região do golfo Pérsico. Em retaliação, Teerã também passou a atingir países estratégicos no setor que abrigam bases militares norte-americanas, como a Arábia Saudita e o Catar.
"No total, apenas 28 dias de confronto já aumentaram os gastos da UE com importação de combustíveis fósseis em 13 bilhões de euros [R$ 78,3 bilhões]", diz o comunicado enviado por Bruxelas aos países do bloco antes de uma reunião on-line de ministros da Energia, prevista para a próxima terça-feira (31).
Na última semana, a agência de notícias Bloomberg publicou que a crise energética causada pela guerra já havia começado a afetar os setores da economia europeia voltados para o uso intensivo de energia.
Segundo a publicação, as consequências da guerra no Oriente Médio já exercem pressão sobre indústrias europeias que consomem muitos recursos energéticos, incluindo a indústria química alemã. Além disso, há risco crescente de que o impacto se espalhe para uma gama mais ampla de consumidores à medida que a renda da população diminui.
"Os efeitos econômicos da guerra com o Irã são sentidos na Europa, onde a desaceleração do crescimento econômico e a aceleração da inflação correm o risco de exacerbar as pressões industriais, orçamentárias e políticas em toda a região", informou o texto na ocasião.
Em particular, destaca-se que a indústria química alemã, que já sofreu com o aumento dos preços em 2022, alertou para a redução dos volumes de produção por causa da falta de energia, cuja ausência, por sua vez, é explicada pelo fechamento do estreito de Ormuz.
"A produção na maior fábrica de amônia do país, a SKW Stickstoffwerke Piesteritz GmbH, foi reduzida ao mínimo técnico de 85%, enquanto a Evonik Industries, fabricante de especialidades químicas, ainda está analisando os danos que pode enfrentar", lê-se no artigo.
Ao mesmo tempo, outras empresas europeias também advertem sobre as consequências econômicas do conflito. Assim, a empresa de transporte de contêineres Hapag-Lloyd AG enfrenta custos semanais adicionais de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões (R$ 209 milhões a R$ 262 milhões) relacionados a combustíveis, seguros e armazenamento.