Em entrevista ao chefe da instituição norueguesa Norges Bank Investment Management, Nicolai Tangen, Birol disse que se não fosse o conflito iraniano, a demanda global de petróleo deveria crescer 650.000 barris por dia este ano, para 104,77 milhões.
Assim, segundo a previsão da AIE, as perdas diretas da situação no Oriente Médio somam aproximadamente 11,5%.
"Hoje, do jeito que as coisas estão, estamos perdendo 12 milhões de barris por dia. [...] até o momento, esta é a maior crise da história", ressaltou o chefe da AIE.
Birol observou que nas últimas décadas houve crises do petróleo em 1973 e 1979. Mas, na avaliação dele, para cada uma das crises da década de 1970, o mercado global perdeu apenas 5 milhões de barris por dia. Por isso, a crise atual pode ter consequências mais graves do que foi observado após situações semelhantes anteriores.
No que diz respeito ao gás natural, Birol ressaltou que a atual escassez de gás é maior do que aconteceu quando a Rússia cortou o fornecimento de gás anteriormente, lembrando que na época o mercado global perdeu cerca de 75 bilhões de metros cúbicos de gás.
"E agora a quantidade de gás que perdemos é maior do que durante a crise do gás russo, o que significa que a crise atual é maior do que todas essas três crises juntas", acrescentou Birol.
De acordo com a AIE, cerca de 40 instalações-chave de petróleo e gás foram danificadas no Oriente Médio. Alguns dos danos são menores, mas alguns são até muito graves, portanto, levará algum tempo para reparar tudo, observou Birol.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã. Em meio à escalada, o transporte marítimo pelo estreito de Ormuz, uma importante rota de fornecimento de petróleo e gás, quase parou, levando a preços mais altos de combustível na maioria dos países do mundo.