"A gente tem visto um conjunto de políticos apelando a artifícios performáticos, fazendo dancinhas, construindo esquetes em vídeos curtos que são muito típicos, por exemplo, nas chamadas trends digitais. Então, de fato, estamos vivendo um momento em que a política está intrinsecamente associada com as mídias sociais", disse.
"A midiatização da política está inserida pela lógica da mídia, não só no digital, mas também na TV, rádio e jornais. Nos anos 90, discutia-se como os candidatos alteravam os discursos devido à campanha televisionada. A construção de um personagem a partir do ator político é uma vantagem que favorece a humanização e aproximação com o público", comenta.
Memórias afetivas também engajam narrativas
"Para pensarmos como esses conteúdos constroem relações intertextuais com elementos da cultura pop e da memória afetiva, como Lego e super-heróis, é uma associação típica do ambiente digital, de empreender uma narrativa a um conjunto de pessoas que vão se identificar e vai auxiliar na circulação dessas mensagens", destaca.
"O conteúdo sintético é aquele que é produzido sem necessariamente um ancoramento em uma ordem de acontecimentos e com personagens reais. A gente tem basicamente um conteúdo que é sintética e digitalmente produzido. Nesse contexto, não é possível saber exatamente quem produziu esses conteúdos que foram construídos a partir de uma instrução humana e pela própria IA generativa", explica.
Memes como porta de entrada ao debate político
"Nunca se discutiu tanto política quanto se discute hoje. A gente tem que saber lidar com o ônus disso. Os memes podem ser uma porta de entrada para cooptar o cidadão ao debate público de qualidade e não parando apenas no meme, mas, do ponto de vista político, há muita gente com interesse que o cidadão comum pare apenas nos memes", conclui.