Como a Lua não tem atmosfera nem movimentos tectônicos, não há mudanças geológicas significativas em sua superfície, o que significa que os cientistas podem observar a superfície lunar como ela estava no estágio de sua formação.
"As rochas formadas durante a atividade vulcânica inicial na Lua fornecem um vislumbre de eventos que ocorreram há quase 4 bilhões de anos", diz a publicação.
Após analisar a composição química da ilmenita, um mineral formado a partir do antigo magma lunar, composto por ferro, titânio e oxigênio, um grupo de pesquisadores descobriu que cerca de 15% do titânio apresenta uma carga elétrica menor do que o esperado.
Os cientistas explicaram que, na ilmenita, um átomo de titânio costuma perder quatro elétrons ao formar uma ligação com o oxigênio, resultando em uma carga positiva de 4+, conhecida como grau de oxidação do átomo.
"Durante o estudo da amostra de rocha coletada na missão Apollo 17, descobrimos que parte do titânio na ilmenita tem carga de apenas 3+, ou seja, é o chamado titânio trivalente", disseram os cientistas.
A presença de certa quantidade de titânio na ilmenita lunar em menor estado de carga, isto é, o titânio trivalente, indica que, na época da formação dessa rocha, há cerca de 3,8 bilhões de anos, havia oxigênio suficiente na Lua.
Até agora, a equipe estudou apenas uma amostra de ilmenita. Para confirmar sua hipótese, os cientistas vão analisar mais 500 amostras dessa rocha, que pode conter titânio trivalente.