Lua revela falhas jovens e amplia evidências de que o satélite segue encolhendo e ativo (IMAGEM)

CC BY-SA 3.0 / Gregory H. Revera / FullMoon
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A atividade tectônica da Lua é muito mais ampla do que se imaginava: um novo mapa global revela milhares de falhas jovens nos mares lunares, indicando que o satélite continua a encolher e pode apresentar riscos sísmicos relevantes para futuras missões e bases humanas.
O novo mapa global de falhas tectônicas nos mares lunares mostra que a atividade interna da Lua é muito mais extensa do que se imaginava. As estruturas identificadas revelam que essas planícies basálticas escuras, antes consideradas estáveis, apresentam sinais claros de deformação recente, indicando que o satélite continua a encolher lentamente ao longo de sua história geológica.
Algumas dessas falhas foram datadas em poucas dezenas de milhões de anos, o que é considerado recente em termos geológicos. Esse encolhimento contínuo enruga a superfície lunar de forma semelhante ao ressecamento de uma maçã, oferecendo a visão mais detalhada já obtida sobre a evolução tectônica da Lua.

Uma nova perspectiva global sobre o tectonismo recente nos mares lunares. Algumas das pequenas cristas dos mares mapeadas pela equipe. Os riscos amarelos representam movimentos adjacentes à crista enquanto o vermelho indica sinal independente
CC BY 4.0 / NASA/GSFC/Universidade Estadual do Arizona/Nypaver et al., PSJ, 2026 / Tectonism in the Lunar Maria (cropped image)
As descobertas desafiam a ideia de que os mares lunares seriam regiões geologicamente tranquilas. Pesquisadores destacam que, embora as escarpas lobadas das terras altas já fossem conhecidas desde a era Apollo, esta é a primeira vez que estruturas semelhantes são documentadas de forma ampla nos mares, ampliando a compreensão sobre o tectonismo lunar recente.
A equipe responsável pelo estudo afirma que o mapeamento global dessas cristas compressivas ajuda a entender melhor o interior lunar, sua história térmica e sísmica, além de fornecer pistas sobre a ocorrência de futuros sismos lunares. Antes, apenas regiões isoladas haviam sido analisadas, sem uma visão integrada do sistema de contração.
Usando imagens de alta resolução da sonda Lunar Reconnaissance Orbiter, os cientistas identificaram 1.114 novos segmentos de pequenas cristas de mares (SMRs), elevando o total global para 2.634. Essas estruturas se formaram entre 310 milhões e 50 milhões de anos atrás, com idade média semelhante à das escarpas lobadas, reforçando a ideia de um processo tectônico unificado.
Modelagens realizadas pela equipe mostram que os mares lunares encolheram entre 0,003% e 0,004%, valores comparáveis à contração observada nas terras altas. Isso sugere que tensões globais atuam de maneira semelhante em diferentes tipos de terreno lunar, deixando marcas tanto nas regiões rochosas quanto nas planícies vulcânicas escuras.
Os pesquisadores destacam que a presença generalizada de estruturas tectônicas jovens amplia o conjunto de possíveis fontes sísmicas na Lua e tem implicações diretas para futuras missões e instalações humanas. A distribuição dessas cristas pode influenciar decisões sobre locais seguros para bases lunares, já que sismos superficiais representam riscos para qualquer infraestrutura construída no satélite.


