De acordo com artigo de opinião do The New York Times, em Washington, qualquer planejamento de guerra contra o Irã sempre partiu da constatação de que seria difícil lutar e ainda mais difícil vencer.
A geografia iraniana torna um combate desafiador. O país é vasto, montanhoso e possui infraestrutura militar enterrada em bunkers, o que tornava inevitável a necessidade de forças terrestres e o risco de baixas norte-americanas.
A chegada da IA e do aprendizado de máquina mudou esse cálculo, alimentando a ideia de que os EUA poderiam enfrentar um adversário poderoso sem enviar soldados ao front. A combinação dessas novas tecnologias, armas precisas e vigilância contínua ampliou drasticamente a capacidade de atacar à distância.
Segundo o Comando Central dos EUA, ferramentas de IA já reduzem processos de direcionamento de horas para segundos. A promessa é de ataques mais rápidos, precisos e com menos baixas, representando um salto tecnológico na prática da guerra moderna.
Mas a guerra no mundo físico continua impondo limites, destaca a mídia. A escala dos drones iranianos e a mobilidade de mísseis de curto alcance desafiam a vigilância constante. Mesmo com IA, muitos alvos sobrevivem, frustrando expectativas de uma vitória remota e limpa.
A evolução tecnológica é notável: ataques que antes dependiam de dados estáticos agora contam com imagens em tempo real e ajustes automáticos de trajetória. Drones norte-americanos sobrevoam o Irã coletando vídeos, sinais e metadados que alimentam sistemas de decisão à distância, mas ainda assim, os ganhos militares não parecem estar atingindo os objetivos iniciais em uma pequena janela de tempo.
Ainda assim, a IA analisa mudanças no terreno, calor, construções e padrões de veículos para localizar bunkers e possíveis lançadores, concedendo alguma vantagem teórica no cenário de guerra. Para além disso, a tecnologia também possibilita identificar combatentes através de sensores quando eles emergem para disparar, acionando ataques antes mesmo dos disparos inimigos.
Essas capacidades, discutidas publicamente por autoridades de inteligência, podem ter criado a ilusão de uma guerra rápida e de baixo risco. Mas a realidade iraniana — território imenso, drones lançados de caminhonetes e mísseis móveis — mostrou que a tecnologia não elimina as dificuldades estratégicas.
"Se os planejadores sonhavam com uma vitória final para a guerra controlada remotamente, no Irã eles despertaram para uma realidade mais dura", destaca a mídia.
Para a mídia norte-americana, apesar dos avanços, erros continuam ocorrendo como o ataque a uma escola iraniana — que matou ao menos 175 civis, em sua maioria meninas — expondo falhas de inteligência.
Enquanto a Casa Branca cogita o envio de tropas terrestres, fica claro que a IA facilitou o início do conflito, mas ainda está longe de garantir sua vitória, conclui o artigo.