Segundo ele, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), informou em reunião que não quer estender o funcionamento do colegiado em ano eleitoral:
"Tive no início da tarde uma reunião com o presidente Alcolumbre. O presidente decidiu não fazer a prorrogação. Ele justifica que se trata de ano eleitoral e não é bom", disse, durante sessão plenária. "É uma decisão unilateral do presidente, que não tem a nossa concordância", criticou.
A atitude, segundo Vieira, prejudicará a comissão, que ficará sem tempo para aprofundar as investigações.
"É óbvio que a gente não concorda com esse posicionamento. Entendo que o presidente presta um grande desserviço. Infelizmente não teremos tempo."
Vieira disse estar "frustrado" com a decisão, mas descartou a possibilidade de recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para buscar a prorrogação da CPI. "Temos uma definição do STF de que cabe ao presidente do Senado esse entendimento de oportunidade."
O relator também comentou a expectativa de que a Corte Suprema autorize a criação de uma comissão para investigar o Banco Master. O pedido foi protocolado na semana passada.
"Semana passada, quando se rejeitou a prorrogação da CPMI do INSS, este entendimento foi reiterado: instalar a CPI é direito da minoria; prorrogar, não, prorrogar seria uma decisão política do presidente da Casa. Por isso não pretendo judicializar a decisão. A gente vai jogar pela regra", concluiu.
Galípolo confirma ida à CPI
Mais cedo, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, confirmou que participará da CPI amanhã (8), de acordo com o presidente da comissão, senador Fabiano Contarato (PT-ES).
Galípolo foi convidado a prestar esclarecimentos sobre uma reunião feita no Palácio do Planalto, em novembro de 2024, com a presença de investigados, como o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro.
Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central, também é esperado na oitiva, mas ele foi convocado — estando legalmente obrigado a comparecer.
A CPI do Crime Organizado foi criada em novembro de 2025, com o objetivo de investigar a estrutura, a expansão e o funcionamento das organizações criminosas, com foco na atuação de milícias e facções em todo o país.
A iniciativa surgiu poucos dias após a megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro (RJ), que deixou 122 mortos e contabilizou mais de 100 prisões.