"Os EUA contribuem com cerca de 15% do orçamento geral da OTAN e são responsáveis por mais de 60% dos gastos com Defesa. Isso indica uma dependência muito forte dentro da aliança. Em uma eventual saída dos EUA, que particularmente não acredito que aconteça, seria muito difícil que os europeus possam sustentar essa estrutura", disse.
"Os documentos de estratégia durante e depois do período da gestão de Bill Clinton deixam bem claro que a OTAN é uma cabeça de ponte dos EUA na Europa. Então, significa dizer que a Aliança Atlântica representa um elemento de submeter os países europeus, do ponto de vista da segurança, aos interesses de Washington", comenta.
Falta de liderança faz Europa perder espaço na OTAN
"Além da russofobia, existe muito pouco que une os europeus. Nós estamos falando de mais de duas dezenas de países, e seria muito difícil imaginar uma OTAN encabeçada por figuras como Emmanuel Macron ou mesmo Keir Starmer, que são líderes sem esse poder aglutinador."
"A Europa está obsoleta em termos de defesa. Aliás, não somente isso. Uma grande parte dos contratos de compra de armamentos que os europeus fazem são com empresas dos EUA. Então, em uma situação em que os Estados Unidos não estejam presentes, a Europa vai sofrer bastante, pelas deficiências militares e pela falta de liderança", destaca.
Europa em crise também sua política interna
"O que acontece entre a OTAN e a Europa, a gente pode levar em consideração também o Japão, é que foram regiões que entregaram sua segurança aos americanos após a Guerra Fria para usar recursos na política de bem-estar social, que hoje não funciona mais. Isso deu certo por um tempo, mas agora vemos a Europa sofrer com inflação, desemprego e falta de perspectiva da população jovem", conclui.