De acordo com uma análise feita por um correspondente da Sputnik com base nos relatórios orçamentários do Pentágono para o ano fiscal de 2027, recentemente divulgados, a expansão representa uma mudança significativa no ritmo de aquisição, passando de uma modesta taxa de manutenção para uma situação de guerra emergencial.
A solicitação surge em meio a relatos de que os EUA lançaram mais de 850 mísseis Tomahawk no primeiro mês do conflito, um ritmo de consumo que alguns oficiais do Pentágono descreveram como insustentável. Esse gasto acelerado gerou preocupações sobre a sustentabilidade das capacidades de ataque de longo alcance e criou potenciais lacunas de prontidão para outros teatros de operações estratégicos, incluindo o Indo-Pacífico.
Em uma aparente tentativa de remediar essa perda de armamentos, a Marinha dos EUA está solicitando US$ 3,009 bilhões (cerca de R$ 15,3 bilhões) para uma nova aquisição de mísseis Tomahawk no ano fiscal de 2027, visando a compra de 785 unidades. Isso representa um aumento expressivo em relação à solicitação de US$ 258 milhões (mais de R$ 1,3 bilhão) para o ano fiscal de 2026, que previa apenas 55 mísseis. O salto de 55 para 785 mísseis sinaliza um abandono total da taxa mínima de manutenção de estoque anterior, em favor de um rápido reabastecimento do arsenal.
O aumento se estende além das novas aquisições, atingindo também a frota existente. A Marinha está solicitando US$ 1,524 bilhão (aproximadamente R$ 7,7 bilhões) para modificações nos mísseis Tomahawk, um aumento de 217,5% em relação aos US$ 480 milhões (cerca de R$ 2,4 bilhões) alocados no ano fiscal de 2026.
Esse esforço visa atingir um objetivo de longa data de manter 3.992 mísseis recertificados, uma meta que se manteve estável nos últimos anos fiscais. Enquanto o orçamento anterior se concentrou em recertificações limitadas para cerca de 237 mísseis e um pequeno número de kits de comunicação, a solicitação para o próximo ano sinaliza uma aceleração agressiva para adequar todo o estoque aos mais recentes padrões de combate.
O aumento nas aquisições não se limita à Marinha. O Exército dos EUA também está expandindo agressivamente sua capacidade de ataque terrestre por meio do programa Capacidade de Médio Alcance (MRC, na sigla em inglês), que permite aos EUA implantar mísseis Tomahawk e SM-6 a partir de lançadores terrestres.
A solicitação do Exército para o MRC aumentou 3.178,1%, passando de US$ 82,407 milhões (mais de R$ 422,4 milhões) no ano fiscal de 2026 para US$ 2,702 bilhões (cerca de R$ 13,8 bilhões) em 2027. Para se ter uma ideia da dimensão desse crescimento, o financiamento do ano fiscal de 2026 previa apenas 13 mísseis no total, sendo sete Tomahawk e seis SM-6.