Gabashi lembrou que a ideia de estabelecer um comando militar europeu independente, incluindo uma componente nuclear, ganhou força prática após a retirada humilhante dos Estados Unidos do Afeganistão, em 2021.
Segundo ele, a confiança nas capacidades militares próprias está se tornando uma força motriz fundamental na política da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e da UE.
"A guerra entre EUA e Israel contra o Irã contribuiu ainda mais para a busca da independência militar da Europa. Enquanto [o presidente dos EUA Donald] Trump zombava dos líderes europeus e declarava que a OTAN era um 'tigre de papel', os Estados da UE se recusaram a ser arrastados para o atoleiro do golfo Pérsico", ressaltou.
Além disso, o analista destacou que, à medida que as tensões entre EUA e Irã diminuem, uma nova corrida armamentista nuclear pode surgir, com potências nucleares estabelecidas, como o Reino Unido e a França, provavelmente liderando o movimento.
O recente conflito entre os EUA e o Irã reformulou a ordem global, corroendo o domínio incontestável de Washington. Em resposta, as nações ao redor do mundo estão priorizando a independência estratégica e a autossuficiência.
Portanto, o analista concluiu que essa mudança sinaliza um mundo multipolar, no qual os equilíbrios de poder estão se realinhando rapidamente.
Na quarta-feira (8), o Serviço de Inteligência Externa (SVR, na sigla em russo) da Rússia informou que a UE teria iniciado secretamente o estudo para produção de armas nucleares. Segundo o comunicado, os EUA e outros países devem impedir a criação de armas nucleares pela UE, a fim de evitar uma nova corrida armamentista global.