Notícias do Brasil

Lula inaugura centro médico no SUS com tecnologia usada no hospital que atende presidente dos EUA

Tecnologia médica utilizada pelo hospital que atende o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, será incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS). O anúncio foi feito pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante a inauguração do Centro de Ensino, Simulação e Inovação (Cesin), do Instituto do Coração (InCor), em São Paulo.
Sputnik
Trata-se de uma área de realidade aumentada que "monta cenários" para que profissionais de saúde possam visualizar em tempo real imagens do interior do paciente, com uso de inteligência artificial e tecnologia da informação.
A mesma estrutura já é utilizada no Walter Reed National Military Medical Center, hospital na região de Washington responsável por atender o presidente norte-americano.
Padilha afirmou que o equipamento, demonstrado durante o evento pelo responsável técnico do centro, "agora está garantido no SUS".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse que sua meta é provar que "o Estado pode ser melhor do que qualquer instituição privada" e criticou quem tenta "destruir toda e qualquer capacidade do Estado tratar bem as pessoas".

"Em vez de achar bom que o Estado esteja investindo para dar cidadania ao povo mais humilde, fizeram do SUS um inimigo."

Lula usou a própria experiência como paciente para ilustrar o ponto. O presidente disse conhecer "dos dois lados" o sistema de saúde — tanto como cidadão comum quanto como chefe de Estado — e afirmou querer garantir ao trabalhador de menor renda acesso às mesmas máquinas que ele próprio utiliza como presidente. "Não deve ser tratado de forma inferior a ninguém", disse.
Para o presidente, cabe ao Estado assegurar essa igualdade: "Quem tem dinheiro paga quanto quiser, vai para outro lugar. Quem não tem, é o Estado que tem que tratar."
Lula também pediu que o país abandone o que chamou de "complexo de vira-lata". "O Brasil precisa jogar fora o complexo de que nós somos pequenos, de que somos pobres, de que não temos nada", afirmou. Para ele, a diferença entre o Brasil e potências como Estados Unidos e China não é de capacidade, mas de disposição. "A gente tem que querer ter para a gente poder fazer."
Sobre o centro inaugurado, o presidente elogiou a estrutura de simulação que permite a médicos praticar procedimentos em corações virtuais antes de operar pacientes reais. "Quando a pessoa chegar na pessoa viva para tratar, ele já terá tratado um coração virtual", disse, classificando a iniciativa como "uma coisa maravilhosa".
Lula destacou ainda que os novos equipamentos de radioterapia estão sendo levados a todos os estados brasileiros, o que chamou de "respeito à dignidade do ser humano, independente da sua cor, da sua religião e do berço que nasceu". O presidente também exaltou o SUS e seus profissionais, lembrando que, durante a pandemia de COVID-19, médicos, enfermeiros e motoristas — nem sempre bem-remunerados — tiveram "uma presença tão extraordinária que viraram todo o motivo de orgulho da saúde desse país".
O vice-presidente Geraldo Alckmin, também presente, disse que o centro despertou nele uma "vontade de voltar para os bancos acadêmicos" e afirmou que "uma vida salva, não tem valor que possa remunerá-la", destacando o InCor como referência nacional em pesquisa, inovação e formação médica.
Padilha detalhou os investimentos — o governo federal aportou mais de R$ 40 milhões para a construção e equipagem do Cesin — e acrescentou que Lula ligou pessoalmente para garantir o repasse ainda na primeira semana após ele assumir o ministério. "O presidente Lula tem um compromisso enorme. Esse recurso vai ser pago."
O ministro destacou que o InCor já formou quase mil cardiologistas e cerca de 300 pneumologistas por programas de residência, e que o novo centro ampliará essa capacidade para todo o Brasil e para outros países, citando uma parceria em curso para formar quase mil profissionais de saúde de Angola.
Ele ainda anunciou um acordo de R$ 9 milhões para que o InCor acompanhe, por telessaúde, gestantes e crianças com cardiopatias congênitas em 76 maternidades pelo país.
Padilha também apresentou um balanço do programa Agora Tem Especialistas: em 2024, foram realizadas 14,9 milhões de cirurgias eletivas pelo SUS, recorde histórico e 42% acima do registrado em 2022. O ministro anunciou a construção do que chamou de "primeiro hospital 100% inteligente de urgência e emergência do SUS" no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) — onde fica o InCor —, com mais de 700 leitos, além da instalação de 14 serviços inteligentes conectados em todas as regiões do país. A plataforma nacional de dados de saúde do governo já reúne mais de 4 bilhões de registros clínicos de pacientes do SUS.
Notícias do Brasil
SUS inicia tratamento inédito para malária em crianças na Amazônia

Realidade virtual

A tecnologia de realidade aumentada presente no Cesin é a mesma utilizada no Walter Reed National Military Medical Center, hospital militar dos Estados Unidos localizado em Bethesda, Maryland, responsável por cuidar de presidentes americanos desde o século XX — incluindo Donald Trump, que se internou na unidade em 2020, após contrair COVID-19.
O uso de realidade aumentada em contextos cirúrgicos e de simulação médica permite que profissionais visualizem, em tempo real, imagens tridimensionais do interior do paciente sobrepostas ao ambiente físico. Com essa tecnologia, é possível acessar digitalmente os órgãos do paciente, localizar e visualizar lesões e identificar órgãos adjacentes que podem ser afetados, além de verificar a melhor abordagem cirúrgica.
Segundo o governo federal, o Cesin é o primeiro centro de simulação com esse nível tecnológico na América Latina.
Acompanhe as notícias que a grande mídia não mostra!

Siga a Sputnik Brasil e tenha acesso a conteúdos exclusivos no nosso canal no Telegram.

Já que a Sputnik está bloqueada em alguns países, por aqui você consegue baixar o nosso aplicativo para celular (somente para Android).

Comentar