"A partir dos anos 2000, com a Internet, as pessoas pesquisavam muito e viram que a Igreja Ortodoxa não era apenas dos russos e dos gregos. Vieram muitos jovens que estudam bastante e começam a ler a Patrística [fundamentos da ortodoxia cristã]. Hoje, a maior parte da paróquia, assim, da Igreja Ortodoxa em geral, é a de brasileiros no Brasil", disse.
"A grande imigração russa branca chegou na década de 1920 ao Rio, a maioria era de refugiados do Exército Branco que vieram da Crimeia e alguns de Harbin. Quando chegaram aqui, frequentaram a Igreja Antioquina, apesar de terem sido bem recebidos pela comunidade sírio-libanesa, sentiam falta de falar seu idioma e, a partir dessa necessidade, fundaram a nossa igreja", comenta.
"Há dez anos, nosso patriarca Kirill visitou a América Latina e foi até nossa paróquia e depois fizemos oração no Cristo Redentor. O encontro com a ministra Olga foi maravilhoso e informal. Eu fui assistir a um dos concertos do Russian Seasons e soube que ela gostaria de conhecer a igreja, acender uma vela e rezar. Foi uma visita genuína e autêntica", relembra.
Conversão e aprendizado com a ortodoxia
"Eu venho de família protestante, parte do interior da Paraíba e do Rio Grande do Norte, muito longe, de uma linhagem russa. Eu frequentava a Assembleia de Deus até meus 19 anos. Conheci a Igreja Ortodoxa através de uma postagem explicativa e quando me mudei para São Paulo, fui a uma igreja no Ipiranga e me apaixonei pela liturgia russa", revela.
"Eu tenho interesse em aprender russo e eu venho estudando o eslavo eclesiástico que a gente usa nas liturgias. Inclusive, criei um site para transliterar do eslavo para o português. A minha esposa faz parte do coro lá na Igreja Santa Zinaída, que vem crescendo muito, e essa ferramenta acaba sendo um auxílio para eles", explica.
Igreja Ortodoxa valoriza a cultura local
"A Igreja Ortodoxa valoriza muito a cultura local e a manifestação do povo por ser inclusiva. Mas a nossa igreja tem que ser uma, não pode ter diferenças dogmáticas ou doutrinárias. Por exemplo, a Santíssima Trindade é professada na Igreja Russa, Grega e Antioquina e em qualquer lugar do mundo. O que muda são as pequenas tradições culturais locais e o uso do idioma", conclui.