De acordo com a Reuters, a decisão de Washington de bloquear o estreito de Ormuz amplia a pressão sobre Teerã após o fracasso das negociações de paz realizadas no fim de semana em Islamabad.
O presidente Donald Trump afirmou que a Marinha iniciaria o bloqueio a navios que tentassem cruzar o estreito de Ormuz rumo ao Irã ou partindo dele. O Comando Central dos EUA detalhou que a restrição se aplicaria exclusivamente a embarcações ligadas a portos iranianos ou que tivessem pagado alguma taxa para o país persa, preservando a navegação de navios com origem ou destino em outros países do golfo.
A resposta iraniana veio rapidamente: o Corpo de Guardiães da Revolução Islâmica do Irã (IRGC, na sigla em inglês) alertou que qualquer aproximação militar ao estreito seria tratada como violação do cessar‑fogo e enfrentada com rigor.
Analistas militares consultados pela mídia britânica, como o almirante aposentado Gary Roughead, afirmaram que o Irã poderia reagir atacando navios no golfo ou infraestrutura de países que abrigam forças norte-americanas.
O bloqueio afetaria diretamente uma das principais fontes de petróleo do mercado internacional. O Irã exportou 1,84 milhão de barris por dia em março e já havia embarcado 1,71 milhão em abril, segundo dados da Kpler. Antes da guerra, a produção elevada levou a níveis quase recordes de petróleo iraniano armazenado em navios, ultrapassando 180 milhões de barris.
Apesar do cessar‑fogo firmado na semana anterior, o tráfego pelo estreito de Ormuz seguia praticamente paralisado. Petroleiros evitavam a rota, embora alguns navios tenham conseguido transitar no fim de semana, incluindo embarcações com bandeiras do Paquistão, da Libéria e de Malta, que tentaram carregar cargas nos Emirados, Kuwait e Iraque, segundo a apuração.
Três superpetroleiros totalmente carregados conseguiram deixar o golfo no sábado (11), os primeiros desde o acordo entre Washington e Teerã. Ainda assim, cerca de 187 petroleiros permaneciam dentro do golfo, com 172 milhões de barris de petróleo e derivados a bordo, segundo a Kpler.
Antes da guerra, a China era o principal destino do petróleo iraniano, mas uma recente isenção de sanções dos EUA permitiu que outros compradores, como a Índia, retomassem importações. O país asiático deve receber nesta semana seu primeiro carregamento iraniano em sete anos, segundo dados de rastreamento.