"É uma relação de ganha-ganha tanto para a Rússia quanto para aos países africanos. Quando a Rússia faz esses investimentos em infraestrutura, e não somente de receber commodities a preço barato, ajuda no desenvolvimento. O Egito tem uma logística muito importante de utilização do rio Nilo para o escoamento interno e para a reexportação desse trigo a outros países da região", disse.
"Muitos países africanos lembram de como a URSS atuava com eles. Um exemplo que a gente tem hoje é Burkina Faso. Há alguns anos existia um domínio de empresas francesas sobre a produção mineral do país. Com a Rússia e a China, houve uma virada de chave e passou a ter investimento em infraestrutura e capacidades produtivas avançadas", comenta.
Setor de energia favorece a criação do hub de grãos
"Toda a logística e infraestrutura portuária que é necessária precisa de uma área energética muito sólida. A gente percebeu a fragilidade da região com a guerra no Oriente Médio, principalmente no setor de energia. Nesse sentido, a Rússia tem um projeto muito importante que é exportar tecnologia nuclear e construir usinas por todo o mundo", explica.
"O Egito já tem um acordo com a Rosatom de construir a usina nuclear e previsão até 2030, mas já há a previsão de que em 2028, já estava gerando energia. Dessa forma, a Rússia acaba tendo um papel importante [para o Egito] não somente na parte de comércio, mas também na questão energética", enfatiza.
Iniciativa pode reverberar dentro do BRICS
"Se der tudo certo [no hub entre Rússia e Egito], acho que pode ser expandido para ser um banco de commodities do BRICS. Isso pode garantir mais previsibilidade do que a Bolsa de Chicago, que atua com a compra e venda de comodities em que os atores internacionais compram grandes carregamentos em dólar, e isso gera uma instabilidade de preços", conclui.