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'Energia nuclear pode ser o futuro da África via cooperação com a Rússia', diz analista (VÍDEOS)

© Sputnik / Maksim Blinov / Acessar o banco de imagensUma bandeira nacional russa e bandeiras com o logotipo da Rosatom tremulam no canteiro de obras de uma torre de resfriamento na usina nuclear de Kursk II, perto da vila de Makarovka, nos arredores de Kurchatov, região de Kursk, Rússia
Uma bandeira nacional russa e bandeiras com o logotipo da Rosatom tremulam no canteiro de obras de uma torre de resfriamento na usina nuclear de Kursk II, perto da vila de Makarovka, nos arredores de Kurchatov, região de Kursk, Rússia - Sputnik Brasil, 1920, 07.04.2026
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Um dos problemas estruturais do continente africano é a diversificação de sua matriz energética e, nesse contexto, a energia nuclear surge como alternativa através da cooperação com a estatal russa Rosatom, que tem cooperação com países da região em prol do desenvolvimento do setor para uso pacífico e seguro com aplicabilidade na esfera civil.
Esse cenário leva a uma tendência na África em querer dominar essa tecnologia e a cooperação com a Rosatom é o caminho viável para esse fim, segundo Astrid Cazalbón, pesquisadora do Grupo de Estudos sobre Segurança Energética (GESENE) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), em entrevista à Sputnik Brasil.

"Certamente a energia nuclear pode ser o futuro na África com investimentos e transferência tecnológica por parte da Rússia, apesar dos desafios. Mas depende muito da capacidade dos países africanos em fazer com que isso seja uma política no longo prazo, porque estamos falando de investimentos altos quando pensamos no setor", disse.

Nesse contexto de parceria entre diversas nações africanas com Moscou, o Egito anunciou em 2024 a construção da primeira usina nuclear do país na cidade de El Dabaa. Paralelamente, a Etiópia firmou tratados para desenvolver sua própria central nuclear, visando reduzir a dependência de hidrelétricas, já que Adis Abeba enfrenta históricos de seca que comprometem o abastecimento.

"A usina que está sendo construída no Egito tem importância estratégica porque o país está próximo de áreas onde ocorrem conflitos geopolíticos, que, inclusive, vemos nesse momento em Ormuz, que passa grande parte de petróleo e gás. Logo, a energia nuclear segue como alternativa, inclusive para outros países que dependem de hidrelétrica", comenta.

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África busca tecnologia e mais autonomia

Para Astrid, que também é doutoranda em relações internacionais da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), esse movimento também indica que lideranças africanas buscam ter tanto o seu desenvolvimento energético interno quanto autonomia em relação à Europa e aos EUA, que possuem uma relação complicada marcada por neocolonialismo.

"Na África, ainda vemos muitos conflitos que provêm do colonialismo. Mas com a Rússia, vemos essa mudança de relação e os africanos podem aproveitar esse momento para acessar uma tecnologia de ponta e faz com que essa situação possa mudar perante os EUA e outras potências tradicionais que nunca deixaram a região crescer", pontua.

Já a relação russo-africana, além de não terem marcas coloniais, é fortalecida vide o Fórum Rússia-África, que acontece anualmente como forma de aproximação política, social e cultural. A última ocorreu no Cairo, capital egípcia. A pesquisadora destaca que muitos estudantes africanos se especializam em universidades russas e isso é muito bom para o crescimento do setor nuclear africano.

"Essa cooperação é excelente também para a troca de expertises, muitos estudantes africanos se formam em universidades na Rússia e, para o setor nuclear, que é uma área de ponta, isso é essencial porque compreende várias áreas da engenharia e do saber, desde a construção até a parte regulatória", discorre.

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A especialista também aponta que a riqueza de recursos naturais em diversas regiões africanas, somada à expertise russa no empreendimento da energia nuclear, pode garantir não apenas a segurança energética, como também pode auxiliar em seu desenvolvimento.

"A energia, como falamos, é a base de tudo porque qualquer setor depende dela, seja infraestrutura ou para construir uma rodovia e até no setor da indústria que demanda bastante. Então, acredito que os países africanos estão indo por um caminho muito bom ao fazer essa cooperação com a Rússia", conclui.

No cenário da geopolítica energética, marcado por conflitos com impactos globais, a energia nuclear se torna um ativo estratégico por garantir segurança e estabilidade. A partir dessa base energética confiável, governos podem fomentar investimentos em múltiplos setores, a fim de consolidar o desenvolvimento socioeconômico e fortalecer a soberania nacional.
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