"Capacidade de defesa da costa [e da Amazônia Azul] a gente tem, mas extremamente limitada. Por exemplo, as fragatas da classe Niterói já estão obsoletas. Nós teríamos que ter mais fragatas Tamandaré totalmente equipadas. Mas, na Marinha, nada é barato, tudo é caro", afirmou.
"Nós temos condições de construir navios de patrulha em estaleiros no Brasil. Além dos submarinos convencionais, é preciso ter alguns de propulsão nuclear para se complementarem. Também é fundamental ter a sua constelação de satélites nacional e drones de longo alcance que possam navegar até o limite da Amazônia Azul", comenta.
Prioridades para reforçar a defesa brasileira
"O mínimo que precisamos para defender a Amazônia Azul seria um veículo lançador de satélite, porque, a partir disso, se aprende a fazer foguete e míssil balístico. Nós temos uma área privilegiada [em Alcântara, Maranhão] muito mal aproveitada. E há a questão nuclear para desenvolver os submarinos, visto que o acordo com os franceses é muito penoso", explica.
"O Irã produz o míssil e o seu motor, consegue produzir combustível líquido apesar de depender de alguns componentes da China e, apesar das sanções, consegue sustentar essa guerra assimétrica. Essa é uma outra lição aprendida: o Brasil não tem sanções, mas precisa se preparar para o pior cenário possível", enfatiza.
Cooperação estratégica pode estar dentro do BRICS
"O que acontece hoje no mundo é preciso escolher a sua parceria. No estágio em que a Rússia se encontra, ela nos interessa. Uma parceria com a Índia também seria interessante. Mas, como grande parte do desenvolvimento militar indiano passa pela Rússia, eu optaria pela tecnologia russa, porque a gente pode se adaptar a isso. Lembrando que a Rússia tem alta capacidade em missilística", conclui.