"Esses dois líderes concordaram que, para alcançar a paz entre seus países, declararão formalmente um cessar-fogo de dez dias, a partir das 16h00 [horário da costa leste dos EUA]", escreveu Trump no Truth Social.
O líder norte-americano convidou ainda os dois líderes para um encontro na Casa Branca, onde ambos já haviam se encontrado há 34 anos. Estas serão, complementou, as conversas mais significativas entre Tel Aviv e Beirute desde 1983.
A liderança do Líbano também se pronunciou em um comunicado. O presidente, Joseph Aoun, afirmou que "expressou esperança de que os esforços para alcançar um cessar-fogo continuem o mais breve possível".
Já o primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, afirmou que acolhe com satisfação o cessar-fogo, "que constitui uma reivindicação libanesa central pela qual nos empenhamos desde o primeiro dia da guerra e que foi o nosso objetivo primordial no encontro de Washington na terça-feira".
Sobre o cessar-fogo no Líbano, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou que não vai ceder, por ora, o território ocupado no Líbano.
"Trump pediu isso, e nós temos interesses nas relações com os EUA. Permaneceremos no Líbano, onde estamos agora", disse Netanyahu, segundo a emissora estatal Kan.
Segundo a mídia israelense, o governo israelense foi pego de surpresa com o anúncio, sem ter tempo de realizar uma votação quanto à sua validade. A trégua teria sido uma demanda de Teerã para continuar as negociações com Washington.
O fim dos confrontos no Líbano foi um dos principais pedidos do Irã nas negociações com os Estados Unidos na semana passada, sendo concordado por todas as partes. A medida, no entanto, não foi respeitada por Israel, que realizou seu ataque mais violento contra o Líbano. Segundo o Ministério da Saúde libanês, os ataques israelenses deixaram mais de 2,2 mil mortos e mais de 7 mil feridos no país entre 2 de março e 15 de abril.
Após pressão de Teerã, a liderança norte-americana convenceu o governo israelense a reduzir a escala das operações e as conversas prosseguiram, mas um cessar-fogo amplo na região se manteve como uma demanda fundamental iraniana.
Nos últimos dias, lideres iranianos como o chanceler, Abbas Araghchi, e o presidente do Parlamento, Bagher Ghalibaf, reuniram-se com o comandante do Exército do Paquistão, Asim Muneer. O governo paquistanês foi o principal mediador da trégua de duas semanas entre Estados Unidos e Irã, anunciada em 7 de abril.
Ontem (15), o vice-presidente do conselho político do movimento xiita libanês Hezbollah, Mahmoud Qamati, afirmou que eles aceitariam e manteriam um cessar-fogo, desde que houvesse compromisso de ambas as partes. Na segunda-feira (13), o secretário-geral, Naim Qassem, enfatizou que a agressão israelense continuaria enquanto o governo libanês fizesse concessões ao grupo e instou ao Exército libanês que se juntasse na luta contra a invasão do sul do Líbano.
As negociações começaram por iniciativa do Líbano, com a intermediação de agentes internacionais. Em meio a relatos sobre as conversas, Beirute foi palco de protestos em massa em apoio ao Hezbollah.
Sem mencionar explicitamente a milícia xiita Hezbollah, o presidente Aoun enfatizou que "as negociações devem ser conduzidas exclusivamente pelas autoridades libanesas, pois se trata de uma questão de soberania na qual ninguém mais pode intervir".