De acordo com apuração do jornal O Globo, o principal foco de atrito entre os chefes dos poderes Executivo e Legislativo havia sido a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), cuja sabatina está marcada para o próximo dia 28 de abril. Agora, articuladores do governo tentam organizar um jantar entre Lula, Alcolumbre e senadores antes da votação, em mais um gesto de distensão política.
Outro movimento visto como positivo foi a aprovação rápida, pelo Senado, do nome do deputado Odair Cunha para o Tribunal de Contas da União (TCU), apenas um dia após a confirmação pela Câmara. O gesto reforçou a percepção de que a relação entre governo e Senado voltou a ganhar fluidez.
A reaproximação também envolve interesses eleitorais. Alcolumbre trabalha para reeleger Clécio Luís (Solidariedade) ao governo do Amapá e conta com apoio do governo federal, segundo a mídia.
O líder do governo no Congresso, Randolfe Rodrigues, deve integrar a chapa do grupo político do presidente do Senado.
O gesto mais simbólico ocorreu quando Alcolumbre participou da posse do ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, elogiando publicamente o diálogo entre Congresso e Executivo. A presença contrastou com ausências anteriores em eventos importantes do governo, como a sanção da ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR).
Mas, segundo a apuração, a pacificação foi construída gradualmente. Lula e Alcolumbre já haviam se reunido em dezembro, ainda sob tensão pela indicação ao STF. No fim de março, uma nova conversa consolidou o entendimento, com Lula informando oficialmente que enviaria a mensagem confirmando Messias para a Corte.
Em mais um sinal de alinhamento, governo e Alcolumbre atuaram juntos para esvaziar a CPI do INSS e a CPI do Crime Organizado, que miravam figuras politicamente sensíveis, incluindo ministros do Supremo, reforçando a cooperação entre Executivo e Senado neste novo momento.