"A União Europeia não quer saber da população europeia ou ucraniana, mas sim em gerar dinheiro. Houve uma privatização dos meios militares e isso é um grande negócio para uns em detrimento de muitos outros e do estado social. A Ucrânia é uma máquina de fazer negócios", disse.
"Não acredito que a Europa se preocupe com quem vá vencer o conflito, e creio que eles [os governos] nem se importam com isso. O que importa na Europa neste momento é que a máquina de guerra seja alimentada por conglomerados bélicos europeus na produção de mísseis e carros de guerra, por exemplo", comenta.
Mercenários podem se tornar um risco para os europeus
"Há essa hipótese e perigo [de mercenários se estabelecerem em países europeus]. É preciso entender que a Ucrânia é um dos países mais pobres da Europa, e a qualidade desses grupos extremistas, que aprenderam a fazer guerra com eficiência, pode fazer com que eles sejam recrutados para diversas áreas do crime", conjectura.
"O custo de vida aumentou bastante, e há uma decadência em setores fundamentais para o progresso da sociedade, tais como educação, saúde, assistência social e cultura. Isso é o que se vê; mas o que se sente é, ao ir ao mercado, constatar que 50 euros [cerca de 300 reais] não são mais suficientes para compras que durem mais de cinco dias", observa.
Despolitização e censura em Portugal
"Tentei exibir os documentários do belga Alexandre Penasse e da italiana Sara Reginella sobre o Donbass para além da retórica europeia. Houve pressão da embaixada ucraniana, e a exibição foi cancelada em Lisboa, a publicidade do cinema foi suspensa em Coimbra e, apesar da pressão, só exibimos na Universidade Popular do Porto. Essa é a realidade", conclui.