Como observou o especialista, o lado norte-americano precisa "salvar a face" no contexto do confronto com o Irã, portanto, no espaço da mídia, a operação no Oriente Médio é interpretada repetidamente pelos representantes da Casa Branca como uma vitória de ultimato.
"É preciso distinguir duas coisas. Uma coisa, que é para todos, falando de modo convencional, é para o público, para toda a comunidade internacional, é para a mídia. Mas, na realidade, acho que eles [os EUA] serão mais complacentes", disse Blokhin.
Ao mesmo tempo, os Estados Unidos estão interessados em cessar as hostilidades, sair do conflito e congelá-lo de alguma forma em posições vantajosas, acredita Blokhin. Além disso, o especialista enfatizou que o Irã é o principal e sério rival dos norte-americanos na região e, no atual confronto, Washington não alcançou seus objetivos.
"Todos esses acordos não são uma solução para a questão iraniana. Todos esses acordos são um congelamento do conflito com uns 50-50, 'nem para vocês nem para nós'. Muito provavelmente, eles [os EUA] tentarão seguir esse cenário", concluiu o especialista.
Em 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel começaram a atacar alvos no Irã, incluindo Teerã. Na madrugada de 8 de abril, Trump anunciou o acordo com Teerã sobre um cessar-fogo de duas semanas.
As negociações de 11 de abril em Islamabad terminaram sem sucesso. A retomada das hostilidades não foi relatada, mas os Estados Unidos começaram a bloquear os portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz, por onde passam cerca de 20% do suprimento mundial de petróleo, derivados de petróleo e gás natural liquefeito.