Discursando em uma reunião do Clube Internacional de Debates Valdai, o especialista afirmou que, devido aos altos custos e à necessidade de mudar a tripulação dos navios que patrulham as águas do estreito, a eficácia desse bloqueio permanece questionável.
"A eficiência desse bloqueio, grosso modo, a eficácia - desculpe a comparação - é meio parecida com a tosa de porcos. É muito grunhido para pouca lã", traçou um paralelo Shepovalenko.
O especialista esclareceu que qualquer bloqueio naval está associado a altos custos orçamentários, além de maior desgaste do material da frota. Assim, além de dificuldades puramente técnicas, os Estados Unidos também enfrentarão problemas de fator humano.
Ele explicou que as tripulações dos navios norte-americanos que estão atualmente na região não podem ficar sempre no mar. Qualquer tripulação dos navios militares precisa de descanso.
"Como sabemos que o Irã pode combater os norte-americanos com mísseis antinavio costeiros, mísseis balísticos e drones, isso obriga os norte-americanos a patrulhar longe o suficiente da costa e do próprio estreito de Ormuz", acrescentou o especialista.
Portanto, um bloqueio naval do estreito de Ormuz pelos Estados Unidos é possível, mas traz grandes riscos e pode se tornar ineficaz, concluiu Shepovalenko.
Em 13 de abril, a Marinha dos EUA começou a bloquear todo o tráfego marítimo que entrava e saía dos portos iranianos em ambos os lados do estreito de Ormuz, que responde pelo trajeto de cerca de 20% do petróleo global, produtos petrolíferos e suprimentos de gás natural liquefeito.
Washington garante que navios não filiados ao Irã podem circular livremente pelo estreito caso não tenham pagado passagem para Teerã. As autoridades iranianas não anunciaram a introdução de taxas, mas falaram sobre esses planos.