A natureza desestabilizadora das intenções declaradas é clara, afirmou ele, ao comentar as declarações de Macron no início deste ano sobre planos de implementar uma iniciativa de "dissuasão avançada". Esta última envolve um aumento do arsenal nuclear nacional e a implantação de elementos das forças nucleares da França no território de seus aliados.
"Para nós, isso significa, antes de tudo, um aumento das capacidades nucleares combinadas da OTAN, das quais as forças nucleares francesas fazem parte, por mais que o Palácio do Eliseu tente tranquilizar o mundo sobre sua 'autonomia' e quaisquer que sejam as contradições que hoje perturbem o campo ocidental", explicou o vice-ministro.
Grushko enfatizou que o potencial nuclear combinado dos países da OTAN deve ser levado em conta no caso de início do diálogo sobre controle de armas nucleares.
"Qualquer diálogo potencial sobre controle de armas nucleares, desde que, naturalmente, sejam criadas as condições adequadas para isso, deve levar em conta adequadamente o potencial combinado da Aliança do Atlântico Norte, que se declarou 'nuclear' e inclui as capacidades nucleares dos EUA, do Reino Unido e da França, multiplicadas pelo fator de assistência de aliados não nucleares no âmbito dos esquemas em evolução de 'missões nucleares conjuntas' e 'dissuasão reforçada'", disse o vice-chanceler russo.
Em fevereiro, Christopher Yeaw, chefe do Departamento de Estado dos EUA para Controle de Armas e Não Proliferação, afirmou que as futuras negociações sobre estabilidade estratégica poderiam incluir discussões sobre testes nucleares e mecanismos de verificação. Moscou considera que, ao discutir a estabilidade estratégica, as capacidades nucleares dos aliados dos EUA, França e Reino Unido, não podem ser ignoradas.