Segundo o ministro, a adoção do E32 já conta com respaldo técnico e será analisada na próxima reunião do conselho, prevista para maio. Silveira afirmou que os testes necessários foram validados ainda no contexto da implementação do E30, o que reforça a viabilidade da nova ampliação.
A medida integra a estratégia do governo para fortalecer a segurança energética e reduzir a dependência de combustíveis importados. De acordo com estimativas oficiais, a mudança pode diminuir em cerca de 500 milhões de litros por mês a necessidade de importação de gasolina, volume considerado suficiente para levar o país à autossuficiência no abastecimento.
Apesar do avanço técnico, a proposta ainda depende de aprovação formal do CNPE. Caso seja autorizada, terá caráter excepcional e temporário, com vigência inicial de 180 dias, podendo ser prorrogada por igual período.
Além do impacto direto nas importações, o Ministério de Minas e Energia avalia que a ampliação da mistura pode trazer ganhos logísticos. A redução da entrada de gasolina estrangeira tende a liberar infraestrutura hoje utilizada para importação, permitindo maior eficiência na distribuição de outros combustíveis, como o diesel.
A proposta está alinhada às diretrizes da política energética brasileira voltadas à ampliação do uso de biocombustíveis. Em 2025, o país já havia elevado o teor de etanol na gasolina de 27,5% para 30%, dentro do marco regulatório de combustíveis do futuro, que busca ampliar o uso de fontes renováveis e reduzir emissões no setor de transportes.
O anúncio ainda ocorre em um momento de instabilidade no mercado internacional de energia, por conta das tensões no Oriente Médio, que têm pressionado os preços do petróleo e encarecido a gasolina em nível global. Nesse cenário, o governo brasileiro vem adotando medidas para mitigar os impactos internos, incluindo ajustes tributários e estímulos ao uso de biocombustíveis.
Paralelamente, o setor sucroenergético projeta crescimento na produção. Em Minas Gerais, a safra de açúcar e etanol deve alcançar 83,3 milhões de toneladas, alta de 11,6% em relação ao ciclo anterior. Já em âmbito nacional, a produção de etanol pode avançar cerca de 4 bilhões de litros ao longo do ano, reforçando a capacidade do país de sustentar a expansão da mistura.