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Análise: Lula reforça liderança na transição energética e rechaça entregar minerais de 'bandeja'
Análise: Lula reforça liderança na transição energética e rechaça entregar minerais de 'bandeja'
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Em agenda na Alemanha, Lula, em discursos ao público, exaltou o biocombustível brasileiro para o processo de transição energética e como alternativa de energia... 20.04.2026, Sputnik Brasil
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O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou, em Hanover, na Alemanha, do 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, da Feira Industrial de Hanover, visitou uma fábrica da Volkswagen em Wolfsburg e cumpriu agenda bilateral com o chanceler alemão Friedrich Merz. Durante os discursos e coletivas em solo europeu, o chefe do Planalto falou sobre o atual momento geopolítico, citando a crise no Oriente Médio, rechaçando os conflitos armados em curso e citando os esforços do Brasil em gestos de paz. Lula também abordou temas como o multilateralismo, tão defendido pelo petista, mas que "está sendo destruído". Nesta segunda-feira (20), ele disse que a "harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz e a harmonia entre os países está sendo jogada fora" e o mundo presencia a "tentativa da introdução do unilateralismo". O presidente foi enfático, neste sentido, em pleitear mais uma vez o nome do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU; defendendo uma reforma do sistema atual. Entretanto, a passagem do líder brasileiro pelo país europeu teve temas ligados à transição energética e o acordo entre União Europeia e Mercosul como temas que se sobressaíram. Por lá, Lula enfatizou o protagonismo brasileiro na produção de biocombustíveis, disse que especialistas alemães puderam testar a eficiência do produto brasileiro em redução de emissões de até 90% em relação à gasolina e criticou o protecionismo verde da União Europeia. Em uma das aspas, Lula disse que o Brasil está cansado de ser tratado como "um país pobre e um país pequeno" e quer liderar a transição.Segundo José Paulo Martins, professor de ciência política da Universidade Federal Fluminense (UFF), o Brasil já é uma referência em economia verde, com a maior parte da matriz energética limpa, portanto, tem credenciais para falar sobre transição energética, assunto que o mundo todo está interessado. Clarisse Gurgel, cientista política e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), avalia que o movimento em direção à transição energética é mais um passo dado por Lula de uma agenda iniciada desde o seu primeiro governo, levando a cabo o tema, caro ao Sul Global e que tem na China um expoente, uma vez que Pequim avançou na utilização de energia proveniente da geração eólica e solar.Por outro lado, a crítica do presidente brasileiro ao protecionismo europeu é ecoada sobretudo por pressão de agricultores de países do bloco que dependem de subsídios e impõem resistência ao acordo entre Mercosul e UE. As ponderações de Lula, diante do cenário, podem levar o debate para um outro nível, em especial ao colocar os biocombustíveis na ordem das conversas, não só alimentos, diz o analista. "A produção de energia também depende da produção agrícola, então isso pode levar a um novo patamar".A professora da UNIRIO, por sua vez, ressalta o protecionismo europeu no âmbito comercial, com o intuito de proteger "a circulação de seus próprios recursos". E, apesar do discurso do presidente do Brasil sobre os biocombustíveis, ela chama a atenção para o modo de produção interna do produto, que depende de investimentos do agronegócio, dado o seu modo de produção na monocultura. Na esteira da história, esse é um processo "de grandes latifúndios, que preserva uma mesma estrutura desigual, que produz uma massa de miseráveis, que concentra terras", ou seja, " é um debate que precisa ser feito sem ignorar os limites do que o presidente Lula vem falando, que diz respeito a essa grande potência que o país teria a partir dos biocombustíveis".Ela acrescenta, ainda, que um movimento da Europa em direção ao biocombustível brasileiro se daria muito mais sob a necessidade de "suprir uma demanda interna" do que "compreender que os biocombustíveis brasileiros são efetivamente uma superação de um modo de produção ainda destrutivo para o mundo". Outro tema caro ao governo do petista que foi explorado durante a viagem à Alemanha diz respeito às terras raras. De acordo com o presidente da República, o Brasil, apenas com 30% do potencial mineral mapeado, tem "a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel". No debate sobre minerais críticos, o Brasil vai se sentar à mesa para falar sobre desenvolvimento, não ser mero exportador de commodity, defendeu. Ao bater nessa tecla, Lula reforça a questão da soberania, que ganhou tração neste mandato durante embates com o presidente dos EUA, Donald Trump, e que, segundo Martins, é um tema que aparecerá nas eleições de 2026, principalmente pelo principal adversário apontado nas pesquisas, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já ter ido ao país norte-americano e falar "que pretende entregar terras raras para os Estados Unidos". Gurgel adiciona que a posição do governo diante do tema é de reposicionamento de um histórico exportador de matéria-prima para uma nação que, a partir dos metais raros, quer fortalecer a indústria e se autodeterminar, "ao estilo de uma China".Olhando para o todo em relação à agenda internacional de Lula na Alemanha, Martins avalia que o presidente reforçou características importantes de seu governo, ou seja, negociou "de forma ativa, soberana, sem se rebaixar e procurando botar ali nos pronunciamentos da sua agenda" e seguiu levando a cabo a questão da economia verde, cara aos governos do PT, que busca levar o Brasil ao papel de protagonista nos fóruns internacionais e liderar discussões sobre transição energética e economia verde. Em sua análise Gurgel ressalta que o presidente brasileiro aproveitou a ida à Alemanha não só para "fazer um movimento econômico-político no sentido de se apresentar como essa espécie de liderança verde no mundo", mas para, de forma consciente, preservar a democracia brasileira, uma vez que o tema também esteve presente na passagem do chefe do Planalto pela Europa.
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Análise: Lula reforça liderança na transição energética e rechaça entregar minerais de 'bandeja'
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Em agenda na Alemanha, Lula, em discursos ao público, exaltou o biocombustível brasileiro para o processo de transição energética e como alternativa de energia em um momento de alta do petróleo devido à crise no Oriente Médio. E reforçou que Brasília não se limitará a mera exportadora de minerais críticos.
O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, participou, em Hanover, na Alemanha, do 42º Encontro Econômico Brasil–Alemanha, da Feira Industrial de Hanover, visitou uma fábrica da Volkswagen em Wolfsburg e cumpriu agenda bilateral com o chanceler alemão Friedrich Merz.
Durante os discursos e coletivas em solo europeu, o chefe do Planalto falou sobre o atual momento geopolítico, citando a crise no Oriente Médio,
rechaçando os conflitos armados em curso e citando os
esforços do Brasil em gestos de paz.
Lula também abordou temas como o multilateralismo, tão defendido pelo petista, mas que "está sendo destruído". Nesta segunda-feira (20), ele disse que a "harmonia constituída depois da Segunda Guerra Mundial para estabelecer a paz e a harmonia entre os países está sendo jogada fora" e o mundo presencia a "tentativa da introdução do unilateralismo". O presidente foi enfático, neste sentido, em pleitear mais uma vez o nome do Brasil como membro permanente do Conselho de Segurança da ONU; defendendo uma reforma do sistema atual.
Entretanto, a passagem do líder brasileiro pelo país europeu teve temas ligados à transição energética e o acordo entre União Europeia e Mercosul como temas que se sobressaíram. Por lá, Lula enfatizou o
protagonismo brasileiro na produção de biocombustíveis, disse que especialistas alemães puderam testar a eficiência do produto brasileiro em redução de emissões de até 90% em relação à gasolina e criticou o protecionismo verde da União Europeia. Em uma das aspas, Lula disse que o
Brasil está cansado de ser tratado como "
um país pobre e um país pequeno" e quer liderar a transição.
Segundo José Paulo Martins, professor de ciência política da Universidade Federal Fluminense (UFF), o Brasil já é uma referência em economia verde, com a maior parte da matriz energética limpa, portanto, tem credenciais para falar sobre transição energética, assunto que o mundo todo está interessado.
"A transição energética está acontecendo e o Brasil tem uma carta na manga importante nesse debate sobre diversificação da produção de energia".
Clarisse Gurgel, cientista política e professora da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), avalia que o movimento em direção à transição energética é mais um passo dado por Lula de uma agenda iniciada desde o seu primeiro governo, levando a cabo o tema, caro ao Sul Global e que tem na China um expoente, uma vez que Pequim avançou na utilização de energia proveniente da geração eólica e solar.
Por outro lado, a crítica do presidente brasileiro ao
protecionismo europeu é ecoada sobretudo por pressão de agricultores de países do bloco que dependem de subsídios e impõem resistência ao acordo entre Mercosul e UE.
As ponderações de Lula, diante do cenário, podem levar o debate para um outro nível, em especial ao colocar os biocombustíveis na ordem das conversas, não só alimentos, diz o analista. "A produção de energia também depende da produção agrícola, então isso pode levar a um novo patamar".
A professora da UNIRIO, por sua vez, ressalta o protecionismo europeu no âmbito comercial, com o intuito de proteger "a circulação de seus próprios recursos". E, apesar do discurso do presidente do Brasil sobre os biocombustíveis, ela chama a atenção para o modo de produção interna do produto, que depende de investimentos do agronegócio, dado o seu modo de produção na monocultura. Na esteira da história, esse é um processo "de grandes latifúndios, que preserva uma mesma estrutura desigual, que produz uma massa de miseráveis, que concentra terras", ou seja, " é um debate que precisa ser feito sem ignorar os limites do que o presidente Lula vem falando, que diz respeito a essa grande potência que o país teria a partir dos biocombustíveis".
Ela acrescenta, ainda, que um movimento da Europa em direção ao biocombustível brasileiro se daria muito mais sob a necessidade de "suprir uma demanda interna" do que "compreender que os biocombustíveis brasileiros são efetivamente uma superação de um modo de produção ainda destrutivo para o mundo".
Outro tema caro ao governo do petista que foi explorado durante a viagem à Alemanha diz respeito às terras raras. De acordo com o presidente da República, o Brasil, apenas com 30% do potencial mineral mapeado, tem "a maior reserva mundial de nióbio, a segunda de grafita e terras raras e a terceira de níquel". No debate sobre minerais críticos, o Brasil vai se sentar à mesa
para falar sobre desenvolvimento,
não ser mero exportador de commodity, defendeu.
Ao bater nessa tecla, Lula reforça a questão da soberania, que ganhou tração neste mandato durante embates com o presidente dos EUA,
Donald Trump, e que, segundo Martins, é um tema que aparecerá nas eleições de 2026, principalmente pelo principal adversário apontado nas pesquisas, o senador
Flávio Bolsonaro (PL-RJ), já ter
ido ao país norte-americano e falar "que pretende entregar terras raras para os Estados Unidos".
"A postura desse governo é não entregar de bandeja os recursos, mas procurar uma negociação que seja mais favorável. [...] Um exemplo interessante com relação a isso é a fabricação dos caças suecos aqui no Brasil, ou seja, houve uma transferência de tecnologias. Uma negociação em que a soberania do Brasil falou um pouco mais alto e que ambos ganham, os suecos ganham, os brasileiros ganham, uma negociação que todo mundo que está envolvido ganha", avaliou.
Gurgel adiciona que a posição do governo diante do tema é de reposicionamento de um histórico exportador de matéria-prima para uma nação que, a partir dos metais raros, quer fortalecer a indústria e se autodeterminar, "ao estilo de uma China".
Olhando para o todo em relação à agenda internacional de Lula na Alemanha, Martins avalia que o presidente reforçou características importantes de seu governo, ou seja, negociou "de forma ativa, soberana, sem se rebaixar e procurando botar ali nos pronunciamentos da sua agenda" e seguiu levando a cabo a questão da economia verde, cara aos governos do PT, que busca levar o Brasil ao papel de protagonista nos fóruns internacionais e liderar discussões sobre transição energética e economia verde.
Em sua análise Gurgel ressalta que o presidente brasileiro aproveitou a ida à Alemanha não só para "fazer um movimento econômico-político no sentido de se apresentar como essa espécie de liderança verde no mundo", mas para, de forma consciente, preservar a democracia brasileira, uma vez que o tema também esteve presente na passagem do chefe do Planalto pela Europa.
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