"Precisamos superar a 'Síndrome de Chernobyl', justamente por culpa dessa instrumentalização hollywoodiana e também governamental, que foi feita para atribuir estigmas ao setor nuclear e impedir que esse setor se expanda para países do Sul Global. Nós precisamos do setor nuclear para justamente suprirmos a demanda energética crescente", disse.
"A Europa que tanto advogou pelo fim do nuclear, hoje retorna. A Polônia anunciou que vai construir a maior usina nuclear [a nível europeu]. A Eslovênia quer expandir o seu programa e a França, com Macron, recentemente declarou, por mais que seja signatária do TNP [Tratado de Não Proliferação de Armas], que vai aumentar o seu arsenal nuclear", comenta.
Causas do acidente da usina nuclear de Chernobyl
"Descobriu-se, por conta de Chernobyl, uma série de problemáticas que todas foram corrigidas no reator RMBK 1000, entre as quais o coeficiente de vazio positivo que gerou bolhas de vapor em áreas localizadas. Talvez por desconhecimento do engenheiro-chefe, resolveu-se fazer um teste rotineiro de emergência em situação de baixa potência. Foi um erro humano, mas principalmente técnico", explica.
"O reator RMBK foi uma grande inovação na época e usado em outros locais como na Rússia e na Lituânia, por exemplo, e não teve nenhum outro acidente", complementa.
"Tentar comparar um reator nuclear RBMK com um reator atual chega a ser irreal. Até porque nós já sabemos até onde os reatores conseguem ir. Esses novos, por exemplo, que a Rosatom vem produzindo e levando isso de uma maneira exemplar para todo o globo terrestre, são reatores que já são testados em todas as circunstâncias, das mais extremas às mais naturais", destaca.
Mesmo sob ataque, a central nuclear de Zaporozhie é exemplo de segurança
"Os reatores modernos que são construídos pela Rússia, por exemplo, possuem camadas de contenção de 2 a 4 metros de extensão de concreto e aço para evitar qualquer explosão. Em Chernobyl não tinha. Estive em Zaporozhie, mas por causa de um ataque ucraniano, não chegamos à usina. Mas vimos fotos, analisamos mapas e as camadas, que hoje protegem a usina de ataque de drones e mísseis", conclui.