O encontro ocorreu durante a 13ª Comissão Mista sobre Drogas e Temas Conexos, que reúne autoridades de segurança, representantes diplomáticos e equipes técnicas em meio ao avanço de redes criminosas nos mais de 3 mil quilômetros de fronteira entre Brasil e Bolívia, considerada uma das principais rotas do tráfico ilícito na América do Sul.
A agenda discutida entre os dois governos foi estruturada em cinco eixos estratégicos: redução da oferta de drogas e desarticulação de organizações criminosas; controle de substâncias químicas; regulamentação do cultivo de coca e desenvolvimento alternativo; redução da demanda por drogas; e combate à lavagem de dinheiro com cooperação jurídica internacional.
O ministro de Governo da Bolívia, Marco Antonio Oviedo, afirmou que a comissão dá continuidade aos entendimentos firmados entre os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Bolívia, Rodrigo Paz. Segundo Oviedo, o avanço do crime organizado na região torna urgente o fortalecimento dos mecanismos de controle e segurança na fronteira comum.
Pela delegação brasileira, o diretor de Cooperação Internacional da Polícia Federal, Felipe Tavares Seixas, afirmou esperar que a reunião resulte em compromissos concretos entre os dois países. O Brasil enviou mais de vinte representantes ao encontro, entre integrantes das áreas diplomática e policial.
Parceria entre Brasil e Estados Unidos
Diante do aumento da pressão dos Estados Unidos sobre organizações criminosas ligadas ao tráfico na América do Sul, o Ministério da Fazenda anunciou em abril um acordo de cooperação com Washington. A parceria entre os países será feita por meio da Receita Federal brasileira e do Serviço de Alfândega e Proteção de Fronteiras dos EUA (CBP, na sigla em inglês).
O projeto, nomeado de Equipe de Interdição Mútua (ou Mutual Interdiction Team, MTI em inglês), será uma iniciativa para interceptar remessas de armas e drogas entre os dois países. Segundo a Fazenda, esta ação faz parte da agenda cooperativa entre os presidentes Lula e Donald Trump para o enfrentamento ao crime organizado transnacional.
Um dos trunfos será o programa Desarma, um sistema novo da Receita Federal especializado na identificação de produtos como armas, munições, peças, componentes, explosivos e outros materiais sensíveis com origem norte-americana.
De acordo com o ministério, o Desarma se trata de um sistema capaz de registrar e organizar dados relacionados a apreensões, como o material, a origem declarada daquele item, informações logísticas e eventuais dados que possam auxiliar na identificação do produto.