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Equador age como 'bom soldado' dos EUA ao acirrar tensão com a Colômbia, avaliam analistas

© AP Photo / Alex BrandonA então secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, visita a base aérea Eloy Alfaro acompanhada pelo presidente do Equador, Daniel Noboa. Manta, Equador, 5 de novembro de 2025
A então secretária de Segurança Interna dos EUA, Kristi Noem, visita a base aérea Eloy Alfaro acompanhada pelo presidente do Equador, Daniel Noboa. Manta, Equador, 5 de novembro de 2025 - Sputnik Brasil, 1920, 06.05.2026
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Em entrevista à Sputnik Brasil, especialistas apontam uma estratégia dos EUA para se articular com líderes de direita radical na América Latina que são alinhados a Washington, entre eles o equatoriano Daniel Noboa, que tenta "comprar" a briga de Trump com o presidente colombiano, Gustavo Petro, alvo de críticas do norte-americano.
O presidente do Equador, Daniel Noboa, acusou Petro de instigar guerrilheiros a entrar no território equatoriano. Em postagem nas redes sociais, ele disse ter sido informado por "múltiplas fontes" da incursão, feita através da fronteira norte que os países dividem.

"Protegeremos nossa fronteira e nossa população. Presidente Petro, dedique-se a melhorar a vida do seu povo em vez de tentar exportar problemas para os países vizinhos", escreveu Noboa.

Petro rebateu as falas de Noboa e acusou o equatoriano de firmar uma aliança conservadora com o ex-presidente colombiano Álvaro Uribe para sabotar as eleições presidenciais do país deste ano.
Ele disse ainda que o governo colombiano sabe que armas e explosivos que municiam o narcotráfico entram na Colômbia através da fronteira equatoriana e anunciou um plano de segurança para a região.

"Estamos diante do esforço da extrema-direita de encher as urnas de medo, e nós as enchemos de esperança. Que Noboa e Uribe saibam que o povo não se rende", afirmou Petro.

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O episódio é mais um na crise diplomática entre os países sul-americanos, intensificada em 16 de março, após um ataque aéreo em território colombiano resultar em 27 mortos. Petro acusou o Equador de realizar a investida; Noboa negou qualquer incursão no país vizinho.
Hugo Albuquerque, jurista, analista geopolítico e editor da Autonomia Literária, afirma à Sputnik Brasil que historicamente os países são bastante próximos, mais do que a média da América Latina, já tendo sido até mesmo uma mesma nação, a Grã-Colômbia.
No entanto, ele lembra que a tensão atual não é a primeira vivenciada entre os países, com uma situação bastante similar no passado, quando a Colômbia era governada por um presidente de direita, Álvaro Uribe, e o Equador pelo socialista Rafael Correa.

"E o Noboa é um magnata que toca um governo de extrema-direita, aliado com o interesse americano, e que, obviamente, tensiona a Colômbia desde a fronteira."

Em 1º de março de 2008, militares colombianos bombardearam e adentraram o território equatoriano em uma incursão contra um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC). Denominada operação Fênix, o ato levou à morte de 20 a 25 pessoas, entre elas Raúl Reyes, um dos principais comandantes da organização.

Agora, ele aponta uma "situação inversa". Para ele, na prática, o Equador tem sido uma base para a ação norte-americana, mesmo com o governo norte-americano sendo impopular entre a população equatoriana, que votou contra a presença de bases estadunidenses no país.

"Mas o Noboa continua tendo uma parceria muito grande com os americanos e, para além da própria ação americana contra a Colômbia, ele insufla isso, como ele também agiu contra o México. Então o Noboa teve uma ação muito clara contra governos de esquerda mais pronunciados aqui. É parte do plano dele, e ele tem um salvo-conduto americano para tanto."

No entanto, ele frisa que algumas ações não são necessariamente planejadas pelos EUA e partem do próprio Noboa. "É difícil saber o que é planejado desde os EUA e o que é planejado a partir de Quito, mas tem muita coisa que parte do Noboa organicamente."
Ricardo Leães, professor e pesquisador de relações internacionais, avalia que a raiz da crise diplomática entre Colômbia e Equador é a agenda adotada pelos EUA para dominar a América Latina. Ele destaca que, em 2025, o governo estadunidense publicou sua Estratégia Nacional de Segurança, documento que delineia as principais estratégias do país em relação ao mundo.
"Ele fala na busca por se articular com governos parceiros da região, e aí a gente vê uma articulação que existe com governantes de extrema-direita, como os da Argentina, do Chile e também do Equador."
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Leães enfatiza que a Estratégia Nacional de Segurança dos EUA também fala em evitar a atuação de potências extrarregionais na região, uma maneira de se referir à China e à Rússia. "Ou seja, Trump quer que as Américas sejam só para os americanos, no caso os estadunidenses."
Por fim, no documento a Casa Branca enfatiza o combate ao narcotráfico, equiparando traficantes à terroristas. Na visão de Leães, Noboa tenta se alinhar a essa agenda, buscando "emular um pouco do 'sucesso'" da guerra às drogas que o presidente salvadorenho, Nayib Bukele, teve em El Salvador.
A estratégia do equatoriano inclui ilustrar um contraste com a figura de Petro, uma vez que durante muito tempo as FARC foram associadas ao narcotráfico. "Ele quer botar a pecha de que a extrema-direita combate o narcotráfico, enquanto a esquerda é a favor do narcotráfico."
A situação se agrava ainda mais devido às eleições na Colômbia no fim do ano. "Donald Trump já teceu críticas públicas contra Petro e certamente não quer que o candidato de Petro se eleja." Nesse prisma, Noboa se coloca como um "bom soldado" de Washington, e, por isso, não há nada que o Brasil ou qualquer outro país latino-americano possa fazer para mediar a crise.

"Ele quer realmente que o continente aqui seja dominado pelos EUA, e, para isso, se os políticos de extrema-direita estiverem no poder, acaba sendo muito mais fácil."

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