Panorama internacional

Tensão entre EUA e Alemanha é 'sintoma do declínio da hegemonia unipolar', afirma analista

Decisão do presidente norte-americano de reduzir o número do contingente militar na Alemanha é uma vingança por críticas e disputas de longa data sobre gastos com defesa, afirmou à Sputnik o analista militar chinês Deng Qiyuan.
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Segundo o especialista, esse passo de Washington revela uma crise na Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e força a Europa a elaborar sua defesa independente.

"À primeira vista, isso [redução de tropas] parece ser uma resposta imediata às críticas públicas do chanceler alemão Merz à política dos EUA em relação ao Irã. No entanto, na verdade, é o culminar de uma longa disputa entre os Estados Unidos e a Europa", disse Deng Qiyuan.

Ele explicou que essa ameaça dos Estados Unidos de reduzir o contingente militar na Alemanha é "um sintoma do declínio da hegemonia unipolar" e uma forte confirmação da tendência de aceleração da multipolaridade.
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"A época em que os Estados Unidos tentavam controlar os aliados e decidir os assuntos mundiais por meio da dominação militar está se tornando uma coisa do passado", acrescentou o especialista chinês.

Quais são as razões do desacordo dos aliados na OTAN?

Na avaliação de Deng Qiyuang, esta situação de conflito entre os dois aliados da OTAN é o resultado de uma série de problemas relacionados à mudança no posicionamento global dos EUA.
Primeiro, as divisões internas na OTAN se intensificaram a tal ponto que não são apenas disputas sobre interesses econômicos ou de defesa, mas representam uma divergência fundamental de conceitos estratégicos.
O especialista explicou que os EUA exigem que os aliados sigam incondicionalmente seus planos militares e diplomáticos globais, enquanto a Alemanha e outros países europeus insistem na autonomia estratégica e na recusa de obedecer cegamente a Washington, o que mina seriamente a base de confiança dentro da aliança.
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Segundo, neste contexto, acelera-se a autonomia estratégica e de defesa europeia. A pressão dos EUA não só não levou a concessões da Alemanha, mas também empurrou Berlim para aumentar os gastos militares e melhorar o planejamento estratégico militar, contribuindo para os processos de integração na esfera de defesa da UE.
Terceiro, na avaliação do especialista chinês, as tradicionais relações de "mestre-vassalo" entre os EUA e a Europa estão se enfraquecendo, a capacidade da hegemonia norte-americana de controlar aliados está diminuindo e a tendência para a multipolaridade no cenário geopolítico global está se tornando cada vez mais aparente.
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Na semana passada, o presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou sua intenção de reduzir o número de militares dos EUA na Alemanha em mais de cinco mil efetivos, o que excederá os planos anteriormente anunciados.
Mais cedo, o porta-voz do Pentágono, Sean Parnell, confirmou à Sputnik a decisão do Ministério de retirar cinco mil soldados norte-americanos da Alemanha dentro de um ano. A decisão foi precedida por críticas do chefe da Casa Branca ao chanceler alemão Friedrich Merz.
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