Panorama internacional

EUA já deixaram o 'atoleiro' ucraniano; Europa ainda busca uma 'saída honrosa', aponta analista

À Sputnik Brasil, analistas apontam que a trégua no conflito ucraniano para a celebração do Dia da Vitória abriu caminho para uma negociação mais longa e mais séria sobre a paz e avaliam que a principal afetada no momento é a Europa, que investiu altas somas em Kiev sem alcançar seus objetivos.
Sputnik
Em coletiva a jornalistas neste sábado (9), o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou considerar que a atual administração dos EUA e o presidente norte-americano, Donald Trump, estão "sinceramente empenhados" em encontrar uma solução para o conflito ucraniano.
O chefe de Estado russo disse que Moscou concordou com a proposta de Trump de estender o cessar-fogo até o dia 11 e disse que o Ocidente, ao apoiar a Ucrânia, caiu em um atoleiro do qual não consegue escapar.
Em entrevista à Sputnik Brasil, Williams Gonçalves, professor de relações internacionais aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e pesquisador do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Estudos sobre os Estados Unidos (INCT-INEU), aponta que Putin acredita na sinceridade de Trump não por amizade do líder estadunidense, mas porque a questão ucraniana não tem para o norte-americano a mesma importância que tinha para seu antecessor Joe Biden.
Segundo Gonçalves, a concepção estratégica dos EUA sob a gestão Trump mudou e o país praticamente se desvinculou da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN).

"Trump está preocupado com a China, trava uma disputa econômica, uma corrida tecnológica, uma disputa comercial com a China e considera que a América Latina é uma área de exclusiva influência dos EUA e não atribui maior importância à questão da OTAN, à questão da Eurásia."

Essa mudança, aponta o analista, deixou a Europa "em uma situação muito ruim", pois o continente gastou uma alta soma de dinheiro sem alcançar seus objetivos e agora precisa de uma "saída honrosa". Ele explica que esse é o atoleiro em que o Ocidente se encontra, mencionado por Putin na coletiva deste sábado.
"O atoleiro é investir em uma guerra em que a vitória da Ucrânia é impossível. O que a Ucrânia podia fazer é o que tem feito, mediante muita ajuda de armamento, muito ajuda de dinheiro pelos EUA e pela Europa. [...] Mas a partir do momento que as torneiras de onde sai o dinheiro se fecham, a partir do momento que os EUA consideram que aquele conflito não é de seu interesse, não há a menor perspectiva de vitória para a Ucrânia e a resistência é cada vez mais débil."
Ele acrescenta que os EUA, sob a gestão Trump, conseguiram sair do atoleiro, mas a Europa ainda busca um caminho.
"O Donald Trump não pediu licença a ninguém, simplesmente retirou os EUA da liderança da OTAN e da liderança contra a Rússia. Agora resta à Europa encontrar um discurso que seja aceitável, que seja honroso para encerrar essa página da história", conclui o analista.
Francisco Carlos Teixeira, professor titular da cadeira de história moderna e contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), afirma à Sputnik Brasil que a trégua estabelecida para a celebração do Dia da Vitória abriu caminho para uma negociação mais longa e mais séria sobre o fim do conflito, inclusive impulsionada pela Casa Branca, que "viu com bons olhos" o cessar-fogo.
"Trégua que foi no início negada por [Vladimir] Zelensky, que não queria de maneira alguma respeitar. O que vemos aí é que não há mais nenhuma razão para a continuidade da guerra. A maior parte do território de população russa, que vinha sendo explorado e maltratado pelas autoridades ucranianas, já está sob controle da Federação da Rússia", afirma.
Ele sugere que agora, para acabar em definitivo com o confronto, podem ser feitas pequenas correções no mapa existente da região, através de uma mediação ou conversa direta entre as partes. Teixeira considera que isso pode ser feito com ou sem a participação dos EUA. É importante, no entanto, a participação porque a parte ucraniana, apoiada por Reino Unido, Alemanha e Polônia, gostaria de manter o conflito.
"A guerra para eles justifica o rearmamento pesado da Europa, principalmente da Alemanha, e nós sabemos as consequências do rearmamento alemão sempre que acontece o final de processo muito trágico para a Europa, mas principalmente porque Zelensky continuaria recebendo dinheiro em grande quantidade da Europa e poderia manter o seu regime com a justificativa da guerra sem eleições."
Ele ressalta que Zelensky está ilegalmente no poder, e suspendeu as eleições já há um longo tempo.

"É muito difícil que ele e o regime que ele montou, apoiado em forças fascistas, continuem sendo hegemônicos em Kiev. Então a guerra só interessa nesse momento à Ucrânia e ao rearmamento europeu", resume o analista.

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