Panorama internacional

Putin: Rússia aceitou trégua e troca de prisioneiros proposta por Trump, mas não teve retorno de Kiev

O presidente russo, Vladimir Putin, concedeu coletiva neste sábado (9), após participar de celebrações para marcar o 81º aniversário do Dia da Vitória, data que marca a derrota do nazismo para os aliados na Grande Guerra pela Pátria.
Sputnik
Na coletiva, o chefe de Estado russo afirmou que Moscou concordou imediatamente com a proposta do presidente dos EUA, Donald Trump, de estender o cessar-fogo no conflito ucraniano até 11 de maio e realizar uma troca de prisioneiros de guerra. Em 5 de maio, uma lista com os nomes de 500 militares das Forças Armadas da Ucrânia foi enviada ao lado ucraniano.

"A reação inicial foi que precisávamos analisar mais de perto, talvez não todos os 500, talvez 200, e então eles [lado ucraniano] simplesmente desapareceram do radar e disseram abertamente que não estavam prontos para essa troca. Eles não a queriam", disse Putin.

Ele acrescentou que ainda não foram recebidas novas propostas de Kiev sobre o assunto, mas expressou esperança de que a troca vai ocorrer. "Espero que isso aconteça eventualmente", afirmou.
Putin destacou que o ucraniano Vladimir Zelensky se mostrou pronto para um encontro pessoal, e disse que ele poderia ir a Moscou, se assim desejar. Ele afirmou que não está propondo um encontro com Zelensky, mas também não o está descartando.
"Eu não recusei. Não estou propondo este encontro, mas se alguém o fizer, por favor, que quem quiser se encontrar venha a Moscou, e nós nos reuniremos", disse Putin aos repórteres.
Porém, ele frisou que o encontro deve ser realizado para marcar um ponto final para um acordo que possibilite a paz duradoura, não apenas negociações.
"Para participar deste evento ou assinar qualquer coisa, é necessária uma decisão final, e não apenas as negociações em si."
O líder russo expressou confiança de que o conflito ucraniano "está chegando ao fim" e observou que Trump e sua administração buscam sinceramente uma solução.
"Vemos que a atual administração dos EUA e o presidente dos EUA estão sinceramente, e quero enfatizar isso, sinceramente empenhados em encontrar uma solução. Eles claramente não precisam deste conflito", disse o líder russo aos jornalistas.
Ele acrescentou que a proposta do governo Trump para estender o cessar-fogo e para a troca de prisioneiros surgiu durante discussões sobre a segurança da embaixada dos EUA em Kiev.
"Todos os centros de comando e tomada de decisão em Kiev estão localizados muito próximos das missões diplomáticas de vários países; são várias, dezenas delas", disse o líder russo a repórteres, comentando a iniciativa de Trump.
Ele observou que, durante o diálogo com o governo dos EUA, o lado russo alertou sobre isso, apontou as possíveis consequências e pediu que tudo fosse feito para garantir a segurança da Embaixada dos EUA em Kiev.
"Como resultado de todas essas discussões, surgiu a iniciativa do presidente dos EUA, Sr. Trump, para mais dois dias de cessar-fogo e uma troca de prisioneiros de guerra durante esses dois dias", acrescentou o chefe de Estado.
O presidente russo também abordou a questão da Armênia e propôs que os planos do país para ingressar na União Europeia (UE) sejam discutidos na próxima cúpula da União Econômica Eurasiática (UEE). Ele disse que a Armênia deve decidir o quanto antes se integra a UE ou se permanece na UEE e disse que Moscou apoiará "tudo o que beneficiar o povo armênio", com quem tem uma relação especial há séculos.
Ele afirmou considerar que um referendo popular na Armênia seria a via mais correta para a tomada de decisão do país, e sinalizou a disposição da Rússia para um "divórcio amigável" a depender dos resultados.
"Na minha opinião, seria correto que os cidadãos da Armênia, e nós como principal parceiro econômico, decidíssemos o mais rápido possível. De acordo com isso, chegaríamos às conclusões apropriadas e seguiríamos o caminho de um divórcio amigável, inteligente e mutuamente benéfico", disse Putin.
Abordando a boa relação entre Rússia e China, Putin disse que a cooperação entre os países é um fator de dissuasão e estabilidade no mundo.
"A interação entre países como a China e a Rússia é, sem dúvida, um fator de dissuasão e estabilidade", disse o líder russo.
Putin afirmou que a Rússia se beneficia e somente tem a ganhar com relações estáveis ​​com os EUA e a China.
"Só temos a ganhar com isso, com a estabilidade e a interação construtiva entre os EUA e a China", disse o chefe de Estado russo.
Ele também expressou esperança de que Rússia e Europa restabeleçam as relações, apontando que isso beneficiaria ambos os lados.
"Quanto mais cedo isso acontecer, melhor para nós e, neste caso, para os países europeus", disse Putin aos jornalistas.
O presidente russo disse que países europeus estão buscando contato com a Rússia, cientes de que "aumentar a aposta" no conflito europeu terá um custo alto.
"Eles [europeus] estão 'aumentando a aposta', mas, a julgar pelo que foi dito, já estão buscando contato conosco. Eles entendem que esse 'jogo de aumentar a aposta' pode lhes custar caro."
Ele enfatizou que o Ocidente, ao apoiar a Ucrânia, caiu em um atoleiro do qual não consegue escapar.
"No Ocidente, esperavam uma derrota esmagadora para a Rússia, como bem sabemos, o colapso do Estado em poucos meses. Não está funcionando. E então eles caíram nesse atoleiro e não conseguem sair dele", disse Putin.
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