Pesquisadores chineses desenvolveram uma nova blindagem de cerâmica inspirada nas escamas sobrepostas de crocodilos, propondo uma alternativa leve e de baixo custo para coletes, veículos e helicópteros. O design usa placas em formato de diamante, inclinadas a 45 graus, capazes de desviar projéteis com mais eficiência que modelos tradicionais.
Segundo o South China Morning Post, a equipe liderada por Zhaoxiu Jiang, da Universidade de Ningbo, se baseou na estrutura assimétrica da pele dos crocodilos, que oferece proteção natural contra impactos. O estudo mostra que essa assimetria pode alterar a trajetória de projéteis, reduzindo sua capacidade de perfuração.
Em vez das placas hexagonais comuns, os pesquisadores montaram um mosaico de cerâmica de alumina — feito principalmente de óxido de alumínio — fixado com resina epóxi sobre uma placa de liga de alumínio. A escolha do material se deve à alta dureza, resistência à compressão e baixa densidade, características essenciais para blindagens leves.
Nos testes, a configuração inspirada em crocodilos superou a blindagem hexagonal ao enfrentar projéteis de aço endurecido usados para simular munição perfurante. De acordo com a mídia, a estrutura desviou impactos com mais eficiência e reduziu de forma consistente a velocidade residual dos projéteis.
Em velocidades entre 260 e 1.000 metros por segundo, a blindagem biomimética mostrou melhor desempenho, especialmente em torno de 550 m/s, quando uma inclinação de 6 graus aumentou o tempo de contato e acelerou a fragmentação. A massa residual caiu significativamente, nenhuma placa foi perfurada e a deformação traseira foi menor.
Jiang ressalta, porém, que as vantagens são mais evidentes apenas dentro de uma faixa específica de velocidade. Em impactos muito rápidos, o efeito diminui, embora a estrutura ainda possa ser eficaz contra certos tipos de munição perfurante, dependendo do formato do projétil.
Ainda em fase de laboratório, o sistema deverá passar por testes de fogo real, múltiplos ângulos e impactos repetidos. A equipe acredita que o design pode ser aplicado não só em coletes, mas também em veículos, helicópteros, blindagem naval e até estruturas aeroespaciais leves, desde que o custo possa ser reduzido para uso prático, destaca a mídia.